Relatório da ONU reconhece LUPPA como referência global em políticas alimentares sistêmicas

Políticas Públicas
Compartilhar

Plataforma brasileira é destaque em relatório internacional lançado dias antes do SOFI 2025, que confirma saída do Brasil do Mapa da Fome

Relatório da ONU reconhece LUPPA como referência global em políticas alimentares sistêmicas
Imagem: Divulgação

O Laboratório de Políticas Públicas Alimentares Urbanas (LUPPA) foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) como uma das iniciativas com maior impacto sistêmico na transformação dos sistemas alimentares.

O programa brasileiro foi citado na publicação Transforming Food and Agriculture through a Systems Approach, divulgada poucos dias antes do lançamento do relatório global sobre segurança alimentar e nutrição (SOFI 2025), que apontou a saída do Brasil do Mapa da Fome.

O reconhecimento foi divulgado antes do lançamento do relatório anual Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo (SOFI 2025), publicado em 28 de julho durante a Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares (UNFSS+4), realizada em Adis Abeba, na Etiópia.

O SOFI é considerado o principal documento de referência para avaliar a fome no mundo, identificando países com mais de 5% da população em insegurança alimentar grave.

O LUPPA é apresentado pela FAO como exemplo de abordagem colaborativa e integrada para o desenvolvimento de políticas alimentares urbanas, alinhada às recomendações internacionais para transformar os sistemas alimentares de forma sistêmica.

Criado em 2021 pelo Instituto Comida do Amanhã, em correalização com o ICLEI Brasil, o programa apoia cidades brasileiras na criação e aprimoramento de políticas de segurança alimentar e nutricional, envolvendo atualmente 59 municípios.

Segundo a FAO, o LUPPA se destaca por promover a transição da aprendizagem isolada para a aprendizagem coletiva entre cidades preocupadas com segurança alimentar.

A publicação lista suas principais contribuições em quatro frentes: mudança estratégica, ação prática, fatores facilitadores e resultados alcançados.

Entre as ações estão encontros presenciais (LUPPA LAB), mentorias e ferramentas como a matriz de diagnóstico, que ajudam os municípios a identificar gargalos e elaborar estratégias alimentares integradas e de longo prazo.

Além do LUPPA, o relatório cita o SISAN (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) como exemplo brasileiro de governança sistêmica. Iniciativas de outros países também são apresentadas como modelos de práticas colaborativas para enfrentar insegurança alimentar, mudanças climáticas e desigualdade social.

Brasil fora do Mapa da Fome

O SOFI 2025 revelou que o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU, ficando abaixo de 2,5% da população em risco de subnutrição. O índice, baseado na média de 2022, 2023 e 2024, representa um avanço expressivo em relação a 2022, considerado um período crítico para a fome no país. A melhora foi atribuída a políticas públicas que priorizaram a redução da pobreza, o fortalecimento da agricultura familiar, a ampliação da alimentação escolar e o acesso a alimentos saudáveis.

De acordo com dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), cerca de 24 milhões de brasileiros deixaram de enfrentar insegurança alimentar grave até o fim de 2023.

“Enquanto o SOFI mostra o retrato da insegurança alimentar, o relatório lançado dias antes apresenta caminhos possíveis para superá-la, e o LUPPA está entre esses caminhos”, afirma em nota, Juliana Tângari, diretora do Instituto Comida do Amanhã e coordenadora geral do LUPPA.

Em 2023, o LUPPA já havia sido citado no SOFI como referência internacional, classificado como um food lab voltado à construção de soluções para o ODS 2 — Fome Zero e Agricultura Sustentável.

Sobre o LUPPA – Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares

O LUPPA foi idealizado como uma ferramenta para apoiar cidades a alcançarem sistemas alimentares saudáveis para as pessoas e o planeta, resilientes às vulnerabilidades climáticas e econômicas, e promotores de justiça social, a partir da construção democrática de políticas integradas e coerentes, que tratem de forma sistêmica os desafios alimentares urbanos.

Um laboratório de políticas públicas responde à necessidade de ampliar o número de cidades brasileiras que elaboram políticas estratégicas e plurianuais para a alimentação. Responde também à necessidade de se ampliarem as fontes de dados e informações sobre os sistemas alimentares locais. Para mais informações basta acessar o site oficial do LUPPA.