LUPPA abre inscrições para apoiar cidades em políticas alimentares
EditaisPrograma reserva 40% das vagas para municípios da Amazônia Legal, região que concentra os piores índices de insegurança alimentar no Brasil

Estão abertas as inscrições para a quinta edição do Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares (LUPPA), iniciativa do Instituto Comida do Amanhã em parceria com o ICLEI América do Sul. A plataforma colaborativa e contínua de aprendizagem apoia cidades na formulação de políticas alimentares com abordagem sistêmica, intersetorial e participativa. Podem participar municípios com população entre 10 mil e 1 milhão de habitantes. O prazo vai até 20 de outubro.
Nesta edição, 40% das vagas serão destinadas exclusivamente às cidades da Amazônia Legal, que reúne nove estados e concentra altos índices de insegurança alimentar. Dados da PNAD Contínua 2023 revelam que cinco dos dez estados com maior incidência de insegurança alimentar estão na região: Pará (20,3% dos domicílios), Amapá (18,6%), Maranhão (17,9%), Amazonas (17,3%) e Roraima (14,4%).
Segundo Francine Xavier, diretora do Instituto Comida do Amanhã, é urgente colocar a alimentação no centro da agenda municipal. “Participar do LUPPA é uma oportunidade para gestão municipal, fortalecer sua governança e junto com a sociedade civil, construir capacidades, trocar experiências e unir forças com outros municípios para transformar esta realidade perversa. A imensa riqueza socioambiental da Amazônia precisa estar a serviço do bem estar de todos e todas os e as amazônidas, nas cidades, nas florestas e nos rios. Só assim teremos chance de frear sua devastação e as terríveis consequências para o clima do planeta”, afirmou em nota à imprensa.
Desde 2021, o LUPPA promove intercâmbio de experiências, capacitação e apoio técnico a municípios brasileiros. Santarém (PA), participante desde a primeira edição, já colhe resultados.
“É muito importante essa interação e essa integração do LUPPA com os municípios, principalmente aqueles que estão localizados na Amazônia Legal, dadas as condições que nós temos, territoriais, climáticas, de segurança alimentar e também de insegurança alimentar dentro dos municípios da região amazônica”, relatou Vanda Maia, representante do município.
No Amazonas, Careiro estruturou órgãos e conselhos municipais fundamentais para a agenda da segurança alimentar com o suporte do programa. “O LUPPA, no geral, está sendo muito importante, porque ele está acompanhando junto com a gente o processo que iniciou quando nós fizemos nosso primeiro diagnóstico. Nós ainda não tínhamos adesão ao SISAN, o COSEAM e a CAISAN. E durante esse processo conseguimos já montar tudo isso. O LUPPA serviu para dar esse anteparo, esse suporte”, destacou Fernanda Silva, representante da cidade.
Formação e apoio técnico
As cidades selecionadas terão acesso a seminários virtuais mensais, oficinas de capacitação, mentorias com municípios experientes e ferramentas de diagnóstico. Além disso, o LUPPA LAB, fará imersão presencial com todas as cidades participantes, oferecerá visitas técnicas e suporte metodológico para fortalecer políticas públicas locais.
Para Rodrigo Perpétuo, secretário-executivo do ICLEI América do Sul, destinar 40% das vagas para cidades amazônicas é reconhecer a centralidade da região. “Ao fortalecer capacidades locais, contribuímos para que governos municipais da Amazônia avancem em políticas públicas que conciliam desenvolvimento sustentável, combate às desigualdades e resiliência climática”, disse.
As inscrições podem ser feitas até 23h59 do dia 20 de outubro, por meio de formulário no site do LUPPA. O resultado será divulgado em 11 de novembro. Para participar, os municípios precisam indicar pontos focais técnicos de pelo menos duas secretarias e assegurar a participação da sociedade civil em conselhos ou entidades locais.
Mais informações estão disponíveis no site oficial do LUPPA.
Sobre o LUPPA
O LUPPA é idealizado pelo Instituto Comida do Amanhã em correalização com o ICLEI América do Sul, conta com o apoio pleno do Instituto Ibirapitanga, do ICS – Instituto Clima e Sociedade, ITAÚSA e da Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável e da Porticus, além do apoio institucional da FAO Brasil – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e da parceria metodológica da Reos Partners Brasil.
