Mais de mil municípios brasileiros estão em vulnerabilidade climática e fiscal
Políticas PúblicasEstudo do Observatório do Clima mostra que cidades mais expostas a desastres ambientais têm dificuldades financeiras para investir em medidas de adaptação e prevenção aos efeitos climáticos

Um levantamento realizado pelo Observatório do Clima revela que cerca de 1.594 municípios brasileiros enfrentam tanto vulnerabilidade climática quanto fiscal. Segundo o estudo, os municípios necessitam de verbas para se adaptar aos efeitos dos eventos climáticos, no entanto, por falta de recursos, não conseguem contrair empréstimos para obras de adaptação a desastres ambientais.
O levantamento foi realizado por meio do cruzamento de dados da plataforma AdaptaBrasil e do Tesouro Nacional. Primeiro, o levantamento coletou informações sobre risco de desastres na plataforma AdaptaBrasil, do Ministério de Ciência e Tecnologia, que classifica os municípios conforme a probabilidade de ocorrência de deslizamentos e enxurradas. Depois, cruzou com os dados sobre a situação fiscal que têm como base a Capag (Capacidade de Pagamento), indicador do Tesouro Nacional.
A base considerada reuniu 5.568 municípios, em razão da indisponibilidade de dados da Capag para Fernando de Noronha (PE) e Brasília (DF). Desse total, 1.594 municípios foram classificados como “ruim” (29% da amostra), enquanto 71% (3.974) encontram-se em situação “regular ou bom”.
O levantamento também realizou a classificação dos municípios tendo como base os estados. Dos cinco estados em situação mais alarmante, três estão na região Norte, um no Nordeste e um no Centro-Oeste. Sendo eles: Acre, com 77% dos municípios enfrentando vulnerabilidade climática e fiscal; Maranhão, com 75%; Amapá, com 69%, Goiás, com 65% e Tocantins, com 60%. Paraíba, Alagoas e Piauí, todos na região Nordeste, também aparecem com percentuais acima de 50%.
Os estados mais bem colocados na lista estão no Sudeste e no Sul do país: Espírito Santo (1%), São Paulo (3%) e Santa Catarina (5%).
O levantamento foi realizado por Adriana Pinheiro, assessora de incidência política do Observatório do Clima.
Fonte: Observatório do Clima (clique aqui).
