Marcha das Mulheres Negras lança Manifesto Econômico por justiça tributária e reparação histórica

Direitos Humanos
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Documento propõe criação de fundo nacional de reparação, equidade salarial e acesso facilitado ao crédito, reforçando o protagonismo das mulheres negras na luta por justiça econômica e social

Marcha das Mulheres Negras lança Manifesto Econômico por justiça tributária e reparação histórica
Foto: @fotografa_monica

A Marcha das Mulheres Negras, em parceria com o Instituto NoFront, lançou na ultima quinta-feira (02/10), na sede da Ação Educativa, em São Paulo, o Manifesto Econômico da Marcha por Reparação e Bem Viver. O documento apresenta propostas de políticas públicas voltadas à reparação histórica e à justiça tributária, elaboradas coletivamente por mais de 300 mulheres negras de todas as regiões do Brasil.

O evento contou com a participação de Ju Gonçalves, co-coordenadora de Comunicação da marcha, da economista Gabriela Chaves, fundadora do Instituto NoFront, e de Bia Mendes, responsável pela sistematização do manifesto. Diante de um público de mais de 60 pessoas, as debatedoras discutiram a dívida histórica do Estado, das empresas e das instituições com a população negra, além da necessidade de promover políticas públicas reparatórias.

Estruturado em sete eixos, o manifesto propõe medidas concretas como a criação de um fundo nacional de reparação econômica, a garantia de equidade salarial de raça e gênero, e o acesso facilitado ao crédito para mulheres negras. O documento também reforça a importância de valorizar o trabalho de cuidado como atividade essencial, reconhecer a natureza como sujeito de direitos e priorizar o Bem Viver, uma concepção que coloca a vida acima do lucro e valoriza práticas comunitárias e solidárias.

Para as organizadoras, a reparação institucional envolve enfrentar a pilhagem econômica que sustentou a escravidão e o racismo no Brasil, taxar privilégios, responsabilizar instituições e garantir que os recursos cheguem às mãos das mulheres negras.

Racismo econômico e vulnerabilidade social

Em nota à imprensa, a economista Gabriela Chaves destacou que o manifesto “é uma ferramenta de luta que demonstra insubmissão diante de um sistema que se sustenta sobre o trabalho, os corpos e os territórios das mulheres negras”. Ela reforçou que a proposta visa influenciar o debate sobre a reforma tributária, buscando reduzir a carga de impostos sobre as famílias mais pobres, especialmente aquelas chefiadas por mulheres negras.

O manifesto traz dados alarmantes sobre a desigualdade econômica de gênero e raça: 63% dos lares chefiados por mulheres negras vivem abaixo da linha da pobreza, e quase metade delas atua na informalidade, sem direitos trabalhistas ou seguridade social. Além disso, 21% das mulheres negras ocupadas não conseguem contribuir para a previdência, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2022).

Caminho para o Bem Viver e a reparação histórica

A Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, marcada para o dia 25 de novembro, em Brasília (DF), será um novo marco de mobilização do movimento. Com a criação de comitês temáticos, as integrantes aprofundam os debates sobre transformação social, reafirmando o compromisso com a reparação histórica e com a refundação da economia a partir do Bem Viver.

Sobre o Instituto NoFront

Uma organização comprometida com a transformação social e econômica a partir das vivências, saberes e produções de economistas negras do Sul Global. Atuando por meio de incidência política, educação financeira e pesquisa aplicada, promovendo mudanças estruturais para o bem viver e o desenvolvimento sustentável da sociedade como um todo. Para mais informações basta acessar o site oficial do Instituto NoFront.