Mudanças climáticas colocam água e ecossistemas em estado de alerta
Direitos HumanosEspecialistas alertam que o aumento dos eventos climáticos extremos ameaça ecossistemas aquáticos, segurança alimentar e populações vulneráveis; saiba mais no Brasil ODS

Por Vitória Serrão.
Os efeitos das mudanças climáticas têm evidenciado a maneira como a água pode impactar a vida e o funcionamento do ecossistema na terra. Desde 1800, as atividades humanas têm sido o principal fator impulsionador das mudanças climáticas, especialmente devido à queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.
Segundo a ONU Brasil, é importante compreender que as consequências vão além do aumento da temperatura. O planeta terra funciona como um sistema interligado, na qual tudo está conectado. Dessa forma, as mudanças climáticas também provocam secas intensas, escassez de água, incêndios severos, aumento do nível do mar, inundações, derretimento do gelo polar, tempestades catastróficas e perda da biodiversidade.
De acordo com o artigo “Água e mudança climática”, publicado pela ONU, a crise climática é, sobretudo uma crise hídrica, pois com a maior intensificação dos eventos extremos, mais escassa, mais imprevisível de ser encontrada e poluída a água se torna, afetando diretamente o desenvolvimento sustentável, a biodiversidade e o acesso da população a esse recurso.
Em destaque a essa questão, o programa Brasil ODS debate, em seu novo episódio “Eventos climáticos ameaçam ecossistemas fluviais”. Apresentado pelo jornalista e fundador do Observatório do Terceiro Setor (OTS), Joel Scala, o bate-papo também contou com o apoio do colunista do OTS, Paulo Almeida. A discussão está alinhada ao ODS 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima) da Agenda 2030 e se desenvolve a partir de uma pesquisa que revela os impactos dos eventos climáticos nos ecossistemas.
A água é um recurso em risco
As inundações e o aumento do nível do mar, consequências do aquecimento global, aumentam os riscos de contaminação da terra e da água. Segundo a UN-Water, órgão da ONU voltado para o uso de água e manejo de esgotos, até 2050 o número de pessoas expostas ao risco de inundação pode chegar a 1,6 bilhão.
Para Tadeu Siqueira, professor do Instituto de Biociências da UNESP e coordenador de Integração do CBioClima, dados recentes da pesquisa que participou e foi publicada na Nature Reviews Biodiversity mostram que os impactos dos eventos climáticos extremos não ficam restritos aos locais onde acontecem.
“Os efeitos dos eventos climáticos extremos não se limitam ao local onde eles ocorrem, especialmente nos ecossistemas aquáticos. Os rios são interligados e formam bacias hidrográficas conectadas entre si. Assim, um incêndio de grandes proporções ou uma seca extrema na cabeceira de uma bacia pode gerar impactos que se propagam para diferentes regiões ao longo desse sistema hídrico”, explica Tadeu.
Os gases de efeito estufa estão em seus níveis mais altos em 2 milhões de anos, e com o aumento das emissões a situação tende a se agravar, tendo em vista que a temperatura da Terra já está cerca de 1,1 °C mais quente do que no final do século XIX.
Segundo Patrícia Pinho, diretora adjunta de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, os impactos trazem um efeito cascata negativo, que se agrava em uma esfera de vulnerabilidades sociais e territoriais, especialmente em regiões como a Amazônia.
“Os impactos atingem diretamente a segurança alimentar, a biodiversidade e a saúde das populações. As mudanças na sazonalidade dos rios e das espécies afetam a pesca, a rotina das comunidades e até os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, que dependem desses ciclos naturais. Além disso, tanto as secas extremas quanto as grandes inundações têm ocorrido de forma cada vez mais intensa, trazendo consequências graves para populações que já vivem em situação de vulnerabilidade e têm poucos recursos para se adaptar”, afirma Patrícia.
Acompanhe o Brasil ODS
O Brasil ODS é uma produção audiovisual do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, com o apoio da Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A iniciativa é voltada à divulgação científica e ao debate público sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.
O programa vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 15h na Rádio Brasil de Fato.
