Negócio Raiz impulsiona jovens empreendedores da Amazônia e do Nordeste
Impacto das ONGsProjeto revela iniciativas sustentáveis em moda e gastronomia que unem saberes tradicionais, economia circular e fortalecimento comunitário

A região amazônica e o Nordeste despontam como territórios onde juventudes empreendedoras já colocam em prática soluções alinhadas à sustentabilidade e à justiça climática. É o que mostra o Negócio Raiz, iniciativa da Aliança Empreendedora, com apoio da Youth Business International (YBI) e financiamento da Standard Chartered Foundation, por meio do programa Futuremakers, reunindo histórias reais de microempreendedores que transformam crochê, macramê, gastronomia e saberes tradicionais em negócios de impacto cultural, social e ambiental.
O Negócio Raiz fortalece práticas que emergem do próprio território, como o uso de fios residuais, sementes naturais, técnicas tradicionais de produção e culinária ancestral. Para o assessor de empreendimentos da Aliança Empreendedora, Sidnei Pereira, a sustentabilidade nesses negócios nasce da relação profunda entre o empreendedor e o ambiente onde vive.
Em seu segundo ciclo, o projeto já impactou mais de 1.800 microempreendedores em dois anos, oferecendo capacitação, mentorias, encontros temáticos, lives sobre gestão e crédito e avaliações de impacto.
Moda regenerativa
Do Pará ao Ceará, o crochê e o macramê deixaram de ser um passatempo doméstico para se tornar símbolo de resistência cultural, geração de renda e moda regenerativa.
Em Mocajuba (PA), Ana Paula Lopes Maués, criadora da marca fundada em 2022, transforma fios de malha descartados e sementes de açaí em bolsas e sandálias únicas.
“Cada metro de fio que seria jogado no lixo ganha uma nova vida em novas peças únicas e exclusivas, e assim eu vou reduzindo e contribuindo para a redução do impacto ambiental”, comenta.
Em Belém (PA), Natieli Reis Porto, da marca NatiCrochê, viu no crochê uma oportunidade de empreender com propósito.
“O crochê na minha vida começou como hobby. Quando percebi que muitas pessoas estavam transformando essa arte em negócio, vi que poderia ser rentável. Hoje trabalho com fios sustentáveis, feitos de algodão reciclado, e o fio Cumaru, produzido a partir de juta amazônica. Isso conecta tradição e sustentabilidade”, afirma.
No Ceará, Maria Ariadna Miranda Lacerda, do Lacer’s Ateliê Criativo, transforma resíduos têxteis em peças de crochê, macramê e costura criativa.
“Eu trabalho prioritariamente com resíduos têxteis, transformando-os em crochê, macramê e costura criativa. Se grandes empresas reutilizassem suas sobras, toneladas de resíduos deixariam de ir para os lixões. Para mim, empreender é ser voz para aqueles que são constantemente esquecidos, mostrando que o artesanal não pode ser apagado”, ressalta.
Gastronomia afetiva e bioeconomia de base comunitária
A comida também se tornou ferramenta de resistência, memória e sustentabilidade.
Em Fortaleza (CE), Adriana Passos dos Santos, do Laboratório de Encantos, desenvolve uma “cozinha cultural nômade” baseada em culturas alimentares afro-indígenas nordestinas.
“Unimos o uso de ingredientes locais a um trabalho de resgate das plantas alimentícias não convencionais. Resgatamos memórias e sabores que a colonização desvalorizou e fortalecemos pequenos produtores e práticas agroecológicas. Mais do que vender comida, nosso trabalho é político, fundamentado na sabedoria ancestral negra e indígena, mostrando que preservar territórios é manter a floresta e a vida em pé”, explica.
Em Olinda (PE), José Carlos Souza Farias trabalha com a venda de açaí, cacau e mandioca, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis.
“O meu plantio de açaí ajuda na alimentação e na preservação da natureza. Aprendi que devemos valorizar nossas culturas e costumes, e percebi que o Negócio Raiz me trouxe muitas ideias de como usar a cultura a meu favor de maneira sustentável”, afirma.
Em Aracaju (SE), Rayana Machado criou a Nagô Comidaria, um delivery que transforma identidade cultural em alimento.
“Nosso carro-chefe é o acarajé artesanal, mas nosso cardápio traz também pratos que contam histórias, despertam memórias e fortalecem a identidade cultural do nosso povo. Mais do que servir refeições, a Nagô cria experiências que unem sabor, praticidade e representatividade”, diz.
Segundo Rayana, cada ingrediente local valorizado também preserva a biodiversidade.
“A maior lição foi entender que empreender com ingredientes locais é também assumir uma responsabilidade coletiva. É aprender a respeitar a sazonalidade, lidar com a instabilidade da produção e, ao mesmo tempo, enxergar nisso uma oportunidade de inovar e educar o consumidor. Cada prato que sai da minha cozinha pode gerar renda para agricultores, manter tradições vivas e reforçar o orgulho da nossa identidade cultural”, finaliza.
Sobre a Aliança Empreendedora
A Aliança Empreendedora acredita que todos e todas os brasileiros podem empreender de forma digna e justa, e usa o empreendedorismo como forma de transformar o Brasil. Em 20 anos já apoiou mais de 250 mil microempreendedores, recebendo em 2023 o Prêmio de Melhor ONG de Geração de Renda do Brasil. Neste sentido, capacita e apoia gratuitamente microempreendedores formais e informais em comunidades e periferias de todo o país, gerando inclusão e desenvolvimento econômico social, em parceria com empresas, governos, organizações sociais e interessados na causa.
Sobre a YBI
A Youth Business International (YBI) foi originalmente fundada como o braço internacional do The Prince’s Trust (atualmente King’s Trust), criado pelo Rei Charles III. Em 2000, a YBI tornou-se uma organização independente e hoje é a principal referência em empreendedorismo jovem, combinando influência global com expertises locais para apoiar jovens empreendedores ao redor do mundo na criação, expansão e sustentabilidade de seus negócios. Liderando uma rede em constante crescimento, com mais de 60 organizações de apoio ao empreendedorismo em 85 países, a YBI desenvolve e potencializa as soluções mais eficazes para ajudar jovens empreendedores a prosperar – desde o desenvolvimento de habilidades empresariais, incentivo à inovação e fortalecimento de talentos até a viabilização de acesso a mercados e a financiamento.
Sobre a Standard Chartered Foundation (SCF)
A Standard Chartered Foundation (SCF) é uma organização filantrópica que combate a desigualdade promovendo maior inclusão econômica para jovens em situação de vulnerabilidade, especialmente para mulheres jovens e pessoas com deficiência. Seus programas são voltados para empregabilidade e empreendedorismo, auxiliando jovens empreendedores e quem busca emprego a desenvolver suas habilidades e acessar redes, oportunidades e suporte necessários para alcançar autonomia e participação econômica.
Fundada em 2019, a SCF é uma organização registrada como sem fins lucrativos (número de registro 1184946) na Inglaterra e no País de Gales e atua como principal parceira na implementação do Programa Futuremakers by Standard Chartered, uma iniciativa global voltada para a inclusão econômica de jovens.
