Nobel da Paz critica EUA por projeto de nova bomba nuclear
A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican, sua sigla em inglês), vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2017, criticou o projeto americano de uma nova bomba atômica para seu arsenal nuclear; a organização repudiou o que chamou de “escalada irresponsável da corrida armamentista”. A futura bomba seria 24 vezes mais potente que o explosivo que atingiu Hiroshima no final da Segunda Guerra Mundial.

A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican, sua sigla em inglês), vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2017, criticou o projeto americano de uma nova bomba atômica para seu arsenal nuclear. A organização repudiou o que chamou de “escalada irresponsável da corrida armamentista”.
A manifestação foi uma reação ao anúncio do Departamento de Defesa americano, na sexta-feira (27/10), sobre a iniciativa de uma nova bomba atômica que ainda precisa de autorização do Congresso dos EUA para começar.
“Os planos dos EUA para uma nova bomba nuclear – a B61-13 – é uma arma que nunca poderia ser usada sem matar indiscriminadamente civis, crianças e infraestruturas críticas – um crime de guerra. Esta é uma escalada irresponsável da corrida armamentista – e aumenta os riscos de proliferação numa altura em que o mundo precisa fazer o oposto: eliminar as armas nucleares”, destacou a Ican, por meio de suas redes sociais.
De acordo com as autoridades americanas, a nova arma oferecerá ao presidente dos EUA “opções adicionais contra alvos militares maiores e mais difíceis”, enquanto modelos antigos de explosivos nucleares vão sendo aposentados pelo Departamento de Defesa. Batizado de B61-13, o armamento deverá, assim, substituir algumas das mais antigas bombas B61-7. Ambas detém poder de destrutivo semelhante, com capacidade máxima de 360 kilotons.
Assim, a futura bomba seria 24 vezes mais potente que o explosivo que atingiu Hiroshima no final da Segunda Guerra Mundial.
A nova arma também reduzirá o número de bombas B61-12 que serão produzidas. Este outro explosivo, mais moderno e menos potente que o modelo B61-7, começou a ser fabricado no ano passado. Segundo nota do Departamento de Defesa, o B61-13 irá aproveitar a estrutura de produção desenvolvida para o B61-12, compartilhando com esse explosivo de características semelhantes de “segurança, proteção e precisão”.
O anúncio de hoje reflete um ambiente de segurança em mudança e ameaças crescentes de adversários em potencial. Os Estados Unidos têm a responsabilidade de continuar a avaliar e colocar em campo as capacidades que precisamos para dissuadir e, se necessário, responder a ataques estratégicos e dar segurança aos nossos aliados — disse o secretário adjunto de Defesa para Política Espacial, John Plumb.
O modelo B61-13 é uma bomba de gravidade, ou seja, é projetada para ser solta de uma aeronave sobre o seu alvo. A nota divulgada pelo Departamento de Defesa também confirmou os planos de aposentar a bomba B83-1, uma das mais poderosas do arsenal americano.
O Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPAN) é um acordo internacional que tem como objetivo a proibição dos armamentos nucleares em escala mundial, e foi assinado em 2017. O TPAN entrou em vigor em 22 de janeiro de 2021, tendo sido assinado por 86 países. Desses, apenas 54 fizeram a ratificação do tratado (ICAN, 2021).
As nove potências nucleares não quiseram assinar o acordo, incluindo os Estados Unidos, tampouco os países que hospedam os armamentos de outras nações.
O Brasil, representado pelo então presidente Michel Temer, foi a primeira nação a assinar o TPAN, embora não tenha feito a sua ratificação até o momento. Isso significa que o país aprovou o tratado, mas ainda não houve a aprovação do Poder Legislativo para que a confirmação fosse feita e houvesse, enfim, a adesão do país aos termos do TPAN.
O TPAN entrou em vigor em 22 de janeiro de 2021. Conforme definido pelo texto oficial do acordo, era necessário que 50 países signatários fizessem a ratificação do tratado. O 50º país a aderir oficialmente ao TPAN foi Honduras, em 24 de outubro de 2020.
Fonte: O Globo
