Famílias mais pobres foram as mais atingidas pelas enchentes no RS

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Um estudo do Observatório das Metrópoles, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), mostra que as áreas mais atingidas são aquelas que reúnem mais pessoas de baixa renda. A análise foi feita pelo pesquisador André Augustin, do Núcleo Porto Alegre.

Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os maiores impactos das enchentes no Rio Grande do Sul foram em áreas que viviam famílias mais pobres. Um estudo do Observatório das Metrópoles, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), mostra que as áreas mais atingidas são aquelas que reúnem mais pessoas de baixa renda. A análise foi feita pelo pesquisador André Augustin, do Núcleo Porto Alegre.

“No caso da renda, é muito demarcado. Se viu que as áreas alagadas são, principalmente, as áreas mais pobres. Não só [regiões de menor renda]. Mas, na maioria dos casos, as áreas mais próximas dos rios que alagaram são as áreas mais pobres”, diz.

Até na última segunda-feira (20/05), as cheias deixaram 157 mortos no Rio Grande do Sul, com 657,8 mil pessoas fora de casa. O desastre afetou 2,3 milhões de pessoas em todo estado.

Um mapa cruza os dados de renda com as inundações provocadas (mancha cinza) em Porto Alegre e cidades vizinhas como Eldorado do Sul, Guaíba, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo.

A análise usa dados do Censo 2010 e considera apenas as áreas alagadas. Dessa forma, o estudo não trata de outros tipos de impacto observados nessas cidades, como a falta de água e energia elétrica ou dificuldades de locomoção por problemas em estradas, avenidas e ruas.

André Augustin observa que, em cidades como Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo, as áreas de baixa renda correspondem a locais que foram alagados pelo cheia do Rio dos Sinos.

Em Porto Alegre, o principal impacto foi no bairro Arquipélago, composto pelas ilhas do Delta do Jacuí. A região, historicamente, convive com os alagamentos. “A gente já via no caso das ilhas que já acontecia”, diz Augustin.

Nessa área, a situação de alagamento, provocada pela cheia do Guaíba, ainda é crítica. Sem poder voltar para casa, mais de 200 moradores da região estão improvisando moradia em barracas, carros e até debaixo de uma ponte.

As águas avançaram sobre pontos da Zona Norte, como os bairros Humaitá e Sarandi, também de menor renda. Esses locais foram atingidos pelo Rio Gravataí, principalmente. Já na região central, bairros de maior rendimento, como Menino Deus e Cidade Baixa, também foram atingidos – pelo Guaíba e pela água não bombeada após falhas no sistema anticheias.

Em Eldorado do Sul, o impacto foi generalizado: a água inundou tanto os locais mais pobres quanto condomínios de luxo erguidos nas margens do Guaíba.

Além do rendimento, a pesquisa observou a relação entre cor e raça com as inundações. Tanto pessoas negras quanto brancas foram atingidas, aponta Augustin. No entanto, os bairros mais afetados têm uma proporção maior de pretos e pardos em comparação com a média das cidades observadas.

 

Fonte: g1