Olhar da Cidadania discute o aumento do feminicídio no Brasil
Direitos HumanosEm 2025, a média foi de 4 casos de feminicídio por dia no país, um número recorde; para falar sobre esse problema, o Olhar da Cidadania entrevistou a psicóloga Karen Scavacini

Por Lucas Neves
Em 2025, 1.470 mulheres foram mortas por questões de gênero no Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A partir deste cenário preocupante, o Olhar da Cidadania, programa de rádio do Observatório do Terceiro Setor, convidou a psicóloga Karen Scavacini para falar sobre o aumento do feminicídio no país.
Outro dado alarmante em 2025 diz respeito à violência doméstica ou familiar. Conforme estudo do Instituto de Pesquisa DataSenado, 3,7 milhões de mulheres foram vítimas desse tipo de violência no último ano.
“São números muito tristes que a gente tem acompanhado. Eles revelam que, primeiro, precisamos começar a agir de modo muito diferente do que temos agido. Porque, se os números só aumentam, significa que a gente tem um problema muito grande pra resolver”, comentou Karen Scavacini, durante o programa.
Em conversa com o jornalista e apresentador, Joel Scala, Karen destacou que, para tentar entender a origem dessa violência crescente, é preciso olhar simultaneamente para vários fatores.
Afinal, a psicóloga acredita que o aumento dos casos estão associados a diferentes questões estruturais da sociedade, como a noção de posse sobre a mulher, a estrutura de poder patriarcal, a impunidade e até o uso de tecnologias, já que a internet tem se tornado um local de disseminação do discurso de ódio e misoginia.
Durante o programa, Joel Scala perguntou à psicóloga sobre a importância e a efetividade de leis como a Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015) e a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). Para Karen, mesmo que essas legislações representem um avanço importante, elas ainda não têm sido o suficiente para frear os casos de violência de gênero.
Segundo a psicóloga, o principal motivo para a baixa efetividade das leis é o não cumprimento delas. Inclusve, por parte das próprias autoridades. “A gente escuta muitos relatos de mulheres que vão em busca de ajuda e não tem”, alertou.
Além disso, Karen citou exemplos onde as vítimas não conseguem nem mesmo acessar essa ajuda, seja por vergonha, pressão familiar ou até por dificuldade de reconhecer a violência sofrida.
Clique aqui para conferir o programa completo!
Sobre Karen Scavacini
Karen Scavacini é psicóloga, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP e mestre em Saúde Pública pelo Karolinska Institutet (Suécia). Fundadora do Instituto Vita Alere e representante brasileira na International Association for Suicide Prevention (IASP), Karen é referência nacional em promoção da saúde mental e prevenção do suicídio, além de atuar na formação, pesquisa e comunicação em saúde digital.
Sobre o Olhar da Cidadania
O Olhar da Cidadania é um programa do Observatório do Terceiro Setor, apresentado pelo jornalista Joel Scala, contando com as colunas de Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP e Paulo Artaxo professor titular e chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP.
O episódio sobre feminicídio foi ao ar no dia 26/2, às 13h30, na Rádio USP e também está disponível no Spotify e no portal do Observatório do Terceiro Setor.
