ONG PAC enfrenta defasagem escolar e amplia repertórios para crianças e adolescentes da periferia de São Paulo
ONGs em AçãoCom projetos de alfabetização e ensino de inglês, ONG PAC (Projeto Amigos da Comunidade) já registra avanços significativos na aprendizagem de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade em Pirituba e Jaraguá

A defasagem escolar continua sendo uma das principais dificuldades da educação básica no Brasil. Segundo dados do Censo Escolar de 2024 do INEP, mais de 4,2 milhões de estudantes apresentam distorção idade-série, ou seja, possuem dois anos ou mais de atraso em relação à idade recomendada para a etapa escolar.
A baixa qualidade da aprendizagem também atinge índices alarmantes, de acordo com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), apenas 36% dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental apresentam aprendizagem adequada em Língua Portuguesa, enquanto em Matemática esse percentual cai para 31%.
Nos anos finais do Ensino Fundamental, os números são ainda mais críticos: somente 15% dos estudantes apresentam aprendizagem adequada em Matemática. Esses dados indicam que grande parte das crianças avança de série sem dominar competências básicas como leitura, escrita e raciocínio lógico.
Diante dessa realidade, a ONG PAC (Projeto Amigos da Comunidade) — que há mais de 22 anos trabalha com crianças, jovens, adultos e idosos em situação considerada de ‘extrema vulnerabilidade social’ nas regiões de Pirituba e Jaraguá, localizados na Zona Norte de São Paulo — tem atuado de forma complementar à escola pública, oferecendo estratégias pedagógicas que buscam diminuir as defasagens e ampliar repertórios das crianças e adolescentes.
“A defasagem escolar afeta de forma desproporcional crianças e adolescentes das periferias, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, e essa ausência de uma base sólida compromete todo o seu desenvolvimento em uma fase decisiva para sua vida adulta”, lamenta Rosane Chene, empreendedora social e diretora da ONG PAC.
Dentre as iniciativas realizadas pela ONG PAC, está o projeto EduPAC, voltado as crianças do Ensino Fundamental I, que oferece reforço pedagógico de forma integrada à escola. Com foco no desenvolvimento da leitura, escrita e raciocínio lógico-matemático, adotando metodologias ativas e respeitando os diferentes ritmos de aprendizagem. Em 2025, o projeto contou com mais de 70 crianças e adolescentes, apresentando um avanço de 30% no desenvolvimento da alfabetização, com progressão significativa de estudantes do nível silábico para o alfabético.
O projeto também possibilitou a identificação precoce de dificuldades de aprendizagem, além de promover maior autonomia, segurança e confiança na trajetória escolar das crianças atendidas.
Outro projeto importante que busca ampliar o repertório do público infantojuvenil é o ‘Era Uma Vez Inglês’, voltado a crianças e adolescentes de 10 a 15 anos. A iniciativa utiliza aulas teatrais, dinâmicas e conteúdos gramaticais integrados para introduzir o idioma inglês de forma lúdica e contextualizada. No ano de 2025, a oficina contou com 25 alunos que apresentaram desenvolvimento das habilidades na língua estrangeira.
Cerca de 80% alcançaram aproveitamento em listening (escuta), 70% em reading (leitura), 50% em speaking (fala) e 50% em writing (escrita). Além do aprendizado do idioma, o projeto ofereceu repertório e intercâmbio cultural, especialmente para crianças e adolescentes que, historicamente, têm pouco estímulo.
Para Rosane Chene, oferecer projetos socioeducativos é fundamental para construir um futuro menos desigual, especialmente nas periferias.
“Uma criança ou adolescente que não se alfabetiza na idade certa, não recebe estímulo adequado tem mais chances de abandonar a escola. Além disso, as dificuldades de aprendizagem impactam diretamente a autoestima e a saúde emocional. Quando atuamos de forma preventiva, com reforço pedagógico e acesso a novas experiências educacionais, ajudamos a romper ciclos de exclusão e promovemos possibilidades de futuro”, afirma.
Reforço escolar como processo transformador na alfabetização
Moradora da região do Cantagalo, em Pirituba, Janaína Silvestre de Souza de 48 anos, acompanha de perto o trabalho da ONG PAC, localizada em frente à sua casa. Desde os primeiros anos dos filhos, ela via na ONG a possibilidade de ampliar o repertório educacional das crianças por meio de atividades socioeducativas, esportivas e culturais que não faziam parte da rotina familiar.
O filho mais novo, Miguel de 8 anos, ingressou no EduPAC ainda no início da primeira série do Ensino Fundamental. Com grande interesse pelo reforço escolar, apresentou rápida evolução, especialmente na leitura e na fluência verbal. Após cerca de um ano no projeto, a equipe pedagógica avaliou que ele já havia alcançado um nível de desenvolvimento suficiente para avançar para outras atividades. Atualmente, Miguel participa de oficinas de tênis, teatro e do projeto Quebrada Tech, com aulas de robótica e gamificação.
Já o filho mais velho, Lucas de 15 anos, enfrentava dificuldades significativas na leitura. Janaína relata que o apoio contínuo do EduPAC foi determinante para que ele conseguisse acompanhar o conteúdo escolar. Após dois anos e meio no reforço pedagógico, Lucas apresentou avanços expressivos. “Quando a equipe me chamou para uma apresentação de leitura e vi ele lendo com segurança, até chorei. O PAC foi fundamental nessa evolução, inclusive reconhecida pelas professoras da escola”, conta.
Para Janaína, o impacto do PAC foi transformador na trajetória dos dois filhos. “Eu não teria condições financeiras de oferecer reforço e outras atividades. O PAC é muito importante para nossa família. Eles amam participar”, afirma.
O inglês pode ampliar horizontes
Outro exemplo é o de Vivian Neves de Souza, que conheceu a ONG PAC por meio da filha mais velha, Ana Clara, que atualmente tem 21 anos. Após concluir a formação, Ana Clara foi contratada como jovem aprendiz pela organização.
Após o término do contrato como jovem aprendiz, Ana Clara foi convidada a atuar como professora da oficina ‘Era Uma Vez Inglês’, função que exerceu por mais de um ano. Durante esse período, incentivou a participação da irmã mais nova, Manuela, de 8 anos, que passou a frequentar as aulas de inglês. Vivian conta que a filha apresentou desenvolvimento acima da média escolar, especialmente pela abordagem mais completa e dinâmica do projeto, que envolvia leitura, apresentações e atividades práticas.
Atualmente, Manuela segue participando da oficina e de outras atividades no PAC, como futebol e escrita criativa. Vivian também passou a integrar ações voltadas ao bem-estar, participando do PACZen, com acompanhamento psicológico.
“O PAC foi muito importante para minha vida, tanto psicologicamente quanto pelas oportunidades oferecidas às minhas filhas. É um espaço essencial para famílias em situação de vulnerabilidade”, finaliza Vivian.
Conheça o PAC – Projeto Amigos da Comunidade
Fundado há 22 anos, o PAC (Projeto Amigos da Comunidade) é uma organização social sem fins lucrativos certificada pelo CEBAS – Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social – que atende a população em situação de vulnerabilidade e/ou risco social nos distritos de Pirituba e Jaraguá (SP).
Atualmente, o PAC conta com mais de 100 funcionários, cerca de 7.000 voluntários, além de empresas mantenedoras via doação, como Bee It, Becomex, Ideen, R3 Viagens, Elo, Sow, Radix, Trust Carreiras, TMS, Co.Akition, Zendesk, Arracê, GF Four Participações e Investimentos, Banco Mundial, e mais de 30 empresas parceiras que apoiam por meio de doações de alimentos, formações profissionais, empregabilidade de jovens e voluntariado empresarial.
Para mais informações: (clique aqui).
