Poluição do ar ameaça a saúde global e causa milhões de mortes prematuras

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Exposição a poluição atmosférica afeta 99% da população mundial, agrava desigualdades sociais e representa um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo

Imagem feita com IA no Freepik.

Por Vitória Serrão.

A poluição atmosférica é uma ameaça constante à saúde e à qualidade de vida humana. Em 2021, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o problema causou 8,1 milhões de mortes prematuras em todo o mundo, correspondendo a cerca de 12% do total de óbitos registrados no período.

Como forma de reflexão e alerta sobre os riscos da poluição do ar, a ONU instituiu o Dia Internacional do Ar Limpo para Céus Azuis, celebrado em 7 de janeiro, no intuito de promover soluções e incentivar a redução da poluição. De acordo com o relatório “Estado do Ar Global 2024”, Índia e China lideram o ranking de países com maior número de mortes associadas à poluição atmosférica, concentrando 54% da carga global de doenças relacionadas ao problema.

A poluição do ar pode ser interior ou exterior: a interna resulta da queima de combustíveis sólidos, como lenha, carvão vegetal e esterco animal, utilizados para cozinhar. Já a segunda proveniente de fontes como fábricas, veículos motorizados, incêndios florestais e tempestades de poeira. Entre os poluentes mais preocupantes estão as partículas finas (PM10 e PM2.5), o monóxido de carbono, o ozônio troposférico, bem como o dióxido de azoto e o dióxido de enxofre.

Saúde em risco e sufocamento da vida

Representando um risco iminente à saúde, a poluição do ar está associada a doenças como pneumonia, enfermidades cardíacas, acidentes vasculares cerebrais (AVC), câncer de pulmão e até mortes fetais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 99% da população mundial respira ar considerado poluído.

Os grupos mais vulneráveis aos impactos da poluição do ar são crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e populações de baixa renda. A exposição contínua agrava doenças respiratórias e cardiovasculares e amplia desigualdades sociais e de saúde. Somente em 2021,mais de 700 mil mortes de crianças menores de cinco anos foram atribuídas à poluição do ar em todo o mundo.

Dados da poluição do ar no Brasil

No Brasil, estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que a poluição do ar em ambientes externos ocasiona a morte de mais de 50 mil pessoas por ano. Além disso, na última década, o país registrou um aumento de 10% nas exposições ao ozônio ambiental, ao lado de países como Índia, Nigéria e Paquistão.

Evidenciando a vulnerabilidade da saúde na primeira infância, uma análise do Health Effects Institute (HEI) em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que cerca de 169,4 mil crianças menores de cinco anos morreram em 2021 em decorrência da poluição do ar.

ONGs na busca por ar limpo

Na tentativa de promover conscientização, defender políticas de redução de emissões e proteger as populações mais vulneráveis e o meio ambiente, organizações não governamentais atuam globalmente no enfrentamento à poluição do ar. Conheça algumas delas: 

  • Instituto Ar: organização brasileira focada na relação entre poluição do ar e saúde, com atuação no debate de políticas públicas e clima; (Saiba mais)
  • Greenpeace Brasil: desenvolve campanhas contra a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, que são as maiores causas de poluição atmosférica; (Saiba mais)
  • WWF-Brasil: atua em projetos de conservação e sustentabilidade que incluem o combate à degradação ambiental e emissões de poluentes; (Saiba mais)
  • Clean Air Fund: iniciativa filantrópica focada em financiar soluções para poluição do ar globalmente, trabalhando com governos e empresas para acelerar a transição para o ar limpo; (Saiba mais)
  • BreatheLife: campanha conjunta da OMS (Organização Mundial da Saúde), UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e o Banco Mundial para mobilizar cidades e indivíduos contra a poluição do ar. (Saiba mais)