Projeto leva metodologia da Escola de Vôlei Bernardinho à rede pública e inicia atividades com 120 alunos em São Paulo

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Bernardinho com estudantes no lançamento do projeto Ponto de Virada, que leva a metodologia do mini vôlei para a rede pública de ensino.

Uma escola pública na região central de São Paulo se transformou em quadra de aprendizado, durante o lançamento do projeto Ponto de Virada, iniciativa do Instituto Cury que utiliza o esporte como estratégia para fortalecer o vínculo de crianças e adolescentes com a escola.

Realizado na Escola Estadual Canuto do Val, no Bom Retiro, o evento reuniu dezenas de estudantes em atividades em quadra e marcou a implementação inédita da metodologia da Escola de Vôlei Bernardinho na rede pública de ensino. O projeto inicia suas atividades com 120 alunos matriculados em dois núcleos da rede estadual.

Implementação inédita na rede pública

Até então, a metodologia era aplicada principalmente em escolas e clubes particulares e passa agora a integrar o ambiente escolar público em São Paulo por meio da parceria com o Instituto Cury.

A programação contou com a presença do técnico Bernardinho, que participou de atividades com os alunos e de uma conversa com representantes do Instituto e da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

“O esporte tem um papel muito maior do que a prática em si. Ele ensina disciplina, convivência, respeito e mostra para esses jovens que eles são capazes de ir além”, afirmou Bernardinho.

Como funciona o projeto

O projeto está estruturado em duas modalidades, organizadas por faixa etária – Mini 2, voltada a alunos de 11 a 13 anos, e 4×4, para jovens de 14 a 16 anos – com uso de quadras adaptadas, progressão pedagógica e metodologia própria voltada ao desenvolvimento técnico e humano.

Os 120 alunos matriculados estão distribuídos em dois núcleos escolares:

Escola Estadual Professor Fidelino de Figueiredo
4×4: 18 alunos
Mini 2: 37 alunos

Escola Estadual Canuto do Val
4×4: 36 alunos
Mini 2: 29 alunos

A iniciativa pretende alcançar mais de 180 alunos nos próximos meses, com a expectativa de que a procura e o interesse pela prática aumentem à medida que o projeto se consolide no ambiente escolar.

Estrutura e visão do projeto

Para a gerente executiva do Instituto Cury, Luciana Kamimura, o projeto nasce com foco direto em um dos principais desafios da educação:

“O Ponto de Virada parte de uma pergunta concreta: como manter esses jovens conectados com a escola? O esporte entra como uma estratégia real de engajamento, pertencimento e construção de novas perspectivas. Ao mesmo tempo, ele desenvolve habilidades que vão acompanhar esses alunos ao longo da vida, como resiliência, espírito de equipe e a capacidade de lidar com frustrações.”

O Diretor Presidente do Instituto Cury, Fabio Cury, destaca que a iniciativa reflete uma visão de investimento social estruturado:

“Não é uma ação pontual. É uma atuação estruturada, com método e continuidade. O esporte desenvolve habilidades interpessoais que esses jovens vão levar para a vida e que fazem diferença direta na sua trajetória profissional.”

A ação contou também com a participação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Para Priscila Oliveira, líder de esportes da Seduc-SP, iniciativas como essa ampliam o papel do esporte na formação dos estudantes:

“O esporte contribui para o desenvolvimento físico, emocional e social. Quando bem estruturado, ele se torna uma ferramenta pedagógica importante na permanência dos alunos na escola.”

Esporte e permanência escolar

O projeto se insere em um contexto em que a evasão escolar se intensifica na adolescência, especialmente a partir dos 15 anos, quando a taxa de frequência escolar começa a cair de forma mais acentuada, segundo a PNAD Educação. Entre jovens de 15 a 17 anos, cerca de 8% estão fora da escola, percentual que aumenta conforme avançam as transições para o ensino médio e para o mercado de trabalho. Nesse cenário, relatórios da UNESCO indicam que a prática esportiva contribui para o engajamento, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e a permanência dos estudantes no ambiente escolar.