Quando a IA chega na periferia? Projeto Quebrada TECH conecta crianças e adolescentes da periferia de Pirituba a aulas de robótica e IA

Educação
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Alunos do projeto Quebrada TECH da ONG PAC | Foto: Divulgação

Apesar dos avanços, o acesso à tecnologia e informação ainda é desigual no país, especialmente em populações mais vulneráveis. Segundo estudo do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, menos de 30% dos jovens de periferias têm acesso regular a computadores e internet de qualidade, o que evidencia uma importante lacuna digital que impacta diretamente oportunidades de aprendizado e inclusão social.

Para promover mudanças nesse contexto, que a ONG PAC (Projeto Amigos da Comunidade) criou o projeto a ‘Quebrada TECH’, iniciativa que proporciona acesso à tecnologia, robótica, programação e conceitos de Inteligência Artificial a crianças a partir de 6 anos de idade até adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social, na periferia de Pirituba.

“As crianças e adolescentes de periferia enfrentam inúmeras desigualdades, que também recaem sobre o acesso à tecnologia, e ela pode ser uma grande aliada. Aproximá-los desse universo é construir uma ponte para que eles reconheçam suas habilidades e possibilitar um futuro mais inclusivo e de oportunidades”, afirma Rosane Chene, empreendedora social e diretora da ONG PAC.

No projeto as aulas de robótica, são voltadas a crianças com idades de 6 a 14 anos e atendem mais de 100 alunos, com atividades que acontecem duas vezes por semana, com quatro turmas por dia. A proposta é desenvolver o raciocínio lógico, criatividade e capacidade de resolver problemas, aproximando as crianças do universo tecnológico por meio de atividades práticas e divertidas.

Além das crianças, o Quebrada TECH também é aplicado dentro do programa Jovem com Futuro, que promove a formação profissional de jovens de 16 a 24 anos. O projeto faz parte da trilha de tecnologia oferecida aos alunos com aulas de Inteligência Artificial ministradas pelo professor voluntário Robson Oliveira, profissional da área de TI com foco em soluções de IA.

No Jovem com Futuro, os alunos exploram desde conceitos básicos e impactos da IA no mercado de trabalho até o uso prático de ferramentas de criação e automação. Durante a formação os alunos experimentam a criação de apresentações automatizadas, músicas colaborativas com IA, ensaios fotográficos gerados digitalmente, avatares realistas com voz e movimento, e robôs de atendimento programados por eles mesmos. Em outra frente, aprendem a utilizar o Notion com IA e ferramentas para gerenciamento de projetos e mapas mentais, conectando tecnologia e gestão de forma integrada para solucionar desafios reais do mundo corporativo.

E o impacto do projeto Quebrada TECH, já pode ser visto em histórias como a de Sillas Barbosa Miranda, de 12 anos, que começou a frequentar o PAC aos 6, levado pela mãe, Jucilene dos Santos Miranda, em busca de um espaço seguro e gratuito para ele no contraturno escolar. Trabalhadora da educação infantil e moradora da região, Jucilene lembra que antes precisava pagar para deixar o filho com outras pessoas, mas no PAC encontrou um ambiente de aprendizado e estímulo. “Está sendo muito bom pra ele, um lugar bom para crianças, porque lá não estão à toa, estão sendo estimuladas”, conta.

Sillas, que participa das aulas de robótica do Quebrada TECH, descobriu ali um novo interesse: “Ele usou uma batata para produzir energia e ficou encantado. Disse que queria fazer robótica na vida. Criou um jogo, programou tudo sozinho… A gente fica impressionado”, conta a mãe.

Já para Ítalo Daniel Rodrigues Barbosa, de 16 anos, à tecnologia pode despertar novas perspectivas de futuro. Aluno do segundo ano do ensino médio, ele conheceu o Jovem com Futuro por meio de uma amiga da mãe e decidiu se inscrever com o objetivo de fortalecer o currículo e se preparar para o primeiro emprego. Ao ingressar, ficou surpreso por também contemplar aulas de IA.

Para Ítalo, o projeto Quebrada TECH vai muito além de uma aula no curso: “As aulas de Inteligência Artificial estão sendo uma das partes que mais têm me marcado. A gente aprende na prática” comemora.