Quase 80% dos adolescentes ocupados no país estão em situação de trabalho infantil, mostra Fundação Abrinq

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Divulgação: Fundação Abrinq

A melhora do mercado de trabalho no Brasil não eliminou o trabalho infantil entre adolescentes. Mesmo com a taxa de desocupação no menor nível em catorze anos, 77,2% dos jovens de 14 a 17 anos que estavam ocupados no primeiro trimestre de 2026 encontravam-se em situação de trabalho infantil.

Os dados fazem parte de estudo produzido pela Fundação Abrinq com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PNAD Contínua), do IBGE. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação atingiu 6,1%, o menor patamar já registrado pela PNAD Contínua trimestral.

Ainda assim, mais de três em cada quatro jovens ocupados iniciam sua trajetória profissional em condições consideradas irregulares, perigosas ou degradantes. Embora o percentual atual represente o menor nível da série histórica, a Fundação Abrinq alerta que o número continua extremamente elevado.

O cenário revela uma contradição do mercado de trabalho brasileiro. Ao mesmo tempo em que o desemprego cai e aumenta a ocupação entre jovens, a informalidade e a precarização continuam marcando a entrada dessa população no mercado.

A pesquisa aponta que a taxa de ocupação entre adolescentes voltou, desde 2024, aos níveis observados entre 2012 e 2016, indicando retomada da participação desse grupo no mercado de trabalho.

No entanto, a redução do trabalho infantil avança lentamente e ainda está distante de um cenário adequado para a proteção de crianças e adolescentes.

Outro dado observado pela Fundação Abrinq é a mudança no perfil das ocupações exercidas em situação de trabalho infantil. O grupo dos empregados do setor privado sem carteira assinada continua ampliando participação, enquanto modalidades como trabalho familiar auxiliar e trabalho por conta própria perderam espaço após o período da pandemia.

Segundo o superintendente da Fundação Abrinq, Victor Graça, isso sugere que parte da redução recente do trabalho infantil não está necessariamente ligada à formalização ou à proteção das relações de trabalho, mas sim à reorganização das formas de inserção precária no mercado.

A média histórica dos últimos catorze anos mostra que 82,6% dos adolescentes ocupados estavam em situação de trabalho infantil. Embora o percentual atual seja inferior ao registrado na maior parte da série, o estudo aponta que o problema permanece estrutural no país.