Relatório da Rede Oblata revela perfil de vulnerabilidade de mulheres em contextos de prostituição
ONGs em Ação
A Rede Oblata Brasil acaba de publicar seu Relatório Anual de 2025, apresentando um mapeamento sobre a realidade de mulheres atendidas em suas unidades em São Paulo, Belo Horizonte e Juazeiro, na Bahia. O documento revela que a feminização da pobreza e a baixa escolaridade são os principais fatores que empurram mulheres, em sua maioria negras e pardas, para contextos de prostituição e vulnerabilidade social.
O relatório evidencia que muitas dessas mulheres são chefes de família e dependem da renda da prostituição para a subsistência básica. Além da insegurança econômica, o documento aponta um histórico recorrente de violência doméstica e sexual, que resulta em altos índices de sofrimento psíquico, como ansiedade e depressão. Diante desse cenário, a atuação da sociedade civil organizada torna-se vital para garantir o acesso a direitos e a proteção social.
“Compreender essa realidade é o primeiro passo para a transformação: por isso, este relatório configura-se também como um convite. Ao compartilhar dados e experiências, buscamos sensibilizar a sociedade, lutar contra preconceitos e estigmas socialmente reproduzidos, mobilizar forças e inspirar mudanças em prol da justiça social e dignidade para todas as mulheres. Desejamos que este material sirva como ferramenta de conscientização e mobilização, fortalecendo o debate público e sugerindo caminhos na construção de políticas que promovam justiça e igualdade”, ressalta Ir. Roseli Consoli, coordenadora da Rede Oblata.
A metodologia da Rede Oblata baseia-se na presença direta nos locais de prostituição, como ruas, bares e hotéis. Em 2025, as equipes multidisciplinares realizaram 739 visitas de abordagem social em 69 pontos distintos de prostituição, estabelecendo vínculos com 3.580 mulheres. Essa estratégia de busca ativa permitiu a realização de 7.771 atendimentos de acolhida e suporte humanizado.
No campo da saúde e assistência, o relatório destaca a realização de 1.916 atendimentos especializados, sendo 619 acompanhamentos psicológicos e 778 sociais. Um dado relevante é a articulação com o poder público: foram realizados 483 encaminhamentos para a rede socioassistencial e de saúde (SUS/SUAS), garantindo que como cidadãs, essas mulheres acessem serviços e direitos.
O relatório também detalha o impacto da “pedagogia do cuidado”, que inclui a oferta de Práticas Integrativas e Complementares. Foram realizados 494 atendimentos de terapias como auriculoterapia, reiki e yoga, focados na redução de danos e no equilíbrio emocional das assistidas.
No enfrentamento à insegurança alimentar, a parceria com o Programa Mesa Brasil (SESC) foi estratégica. Somente na unidade de Juazeiro (BA), foram distribuídas mais de 5 toneladas de alimentos. Além disso, a Rede Oblata manteve uma forte incidência política, ocupando assentos em conselhos municipais de direitos da mulher e assistência social, assegurando que as demandas desse público sejam pautadas na agenda pública.
Sobre a Rede Oblata Brasil
A Rede Oblata Brasil é a articulação dos projetos de missão das Irmãs Oblatas localizados em São Paulo (Projeto Antonia), Minas Gerais (Diálogos pela Liberdade) e Bahia (Pastoral da Mulher). A organização trabalha para tornar mais justo o caminho de mulheres em contextos de prostituição ou vítimas de tráfico para fins de exploração sexual, atuando na redução de danos, defesa de direitos humanos e sensibilização da sociedade. A instituição é parte da Congregação das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, presente em 16 países.
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Acesse o resumo do relatório: https://www.oblatassr.org/rede-oblata-lanca-relatorio-anual-de-2025-destacando-o-cuidado-alinhado-aos-direitos-das-mulheres/
