Brasil inaugura primeiro SAMU 192 Indígena com atendimento 24h e equipe bilíngue
Políticas PúblicasServiço pioneiro reduz tempo de espera pela metade e garante assistência culturalmente adequada a povos Guarani, Kaiowá e Terena

O Governo Federal inaugurou, no Dia Internacional dos Povos Indígenas, o primeiro Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) Indígena. O serviço, que funciona 24 horas por dia na aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS), promete reduzir pela metade o tempo de espera em atendimentos de urgência e emergência para 25 mil indígenas das etnias Guarani, Kaiowá e Terena.
Chamado em guarani de “Tembiapo Py’ae Om?i Va’e Te’yi Mba’e Ete Va’e”, o SAMU Indígena conta com profissionais bilíngues, fluentes em português e guarani, para facilitar a comunicação com os pacientes. Ao todo, a equipe é composta por 14 profissionais: cinco técnicos de enfermagem, cinco enfermeiros e quatro condutores-socorristas, sendo sete deles indígenas.
Os atendimentos serão realizados inicialmente na área do Hospital da Missão Evangélica Kaiowá, com encaminhamento para hospitais de referência da região, como o Hospital Universitário da Grande Dourados (HU-UFGD), que também possui profissionais fluentes em guarani.
Menos tempo de espera
Antes da implantação do serviço, os povos indígenas eram atendidos pela unidade do SAMU de Dourados, o que prolongava o tempo de espera. Com a nova ambulância, esse tempo será reduzido pela metade, ampliando o acesso a cuidados emergenciais.
De acordo com o secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, a iniciativa representa um marco.
“Essa ação, realizada em uma data muito simbólica e em um local de alta densidade demográfica, integra um conjunto de esforços para garantir atenção integral à população indígena, começando pela atenção primária à saúde. É um trabalho conduzido pelo presidente Lula e pelo nosso ministro Alexandre Padilha, fortalecendo o SUS com este projeto piloto inédito no país”, destacou em nota à imprensa.
Investimento federal
O Ministério da Saúde repassará anualmente R$ 341 mil para o custeio do SAMU Indígena. A medida integra o plano de universalização do serviço até 2026.
Já o SAMU 192 do município de Dourados recebe anualmente R$ 2,2 milhões do governo federal, que custeiam a Central de Regulação Urbana (CRU), duas Unidades de Suporte Básico (USB), uma Unidade de Suporte Avançado (USA) e duas motolâncias. Esse serviço também continuará atendendo indígenas em casos de urgência e emergência.
Compromisso com o SUS
Além de reduzir o tempo de espera, o SAMU Indígena reforça o princípio do SUS de oferecer atendimento universal, gratuito e culturalmente adequado. Cada espaço da nova base recebeu o nome correspondente em guarani, valorizando a identidade e o protagonismo dos povos atendidos.
