Brasil enfrenta desafios persistentes no acesso à água potável e saneamento básico
Políticas PúblicasFalta de saneamento e água contaminada foi tema do programa Brasil ODS, no mês de julho; durante o programa, especialistas discutem doenças ligadas à falta de saneamento básico; a crise do saneamento é silenciosa, mas letal

Por Sabrina Azevedo
A ausência de saneamento básico no Brasil segue como um desafio crítico. O programa Brasil ODS recebeu Rodrigo Disner, pesquisador do Instituto Butantan, e Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil.
Em 2023, o país registrou 11.544 mortes por doenças relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI). Em 2025, mais de 90 milhões de brasileiros ainda não terão acesso à coleta e tratamento de esgoto, e cerca de 32 milhões continuarão sem água potável.
Com o crescimento da população, da urbanização e da atividade agroindustrial, estima-se que o uso global da água doce aumente em 55% até 2025. A falta de acesso à água tratada e à coleta de esgoto expõe milhões de brasileiros a doenças evitáveis e compromete a qualidade ambiental.
Em entrevista ao programa Brasil ODS, biólogo e doutor em Genética, com experiência em toxicologia ambiental e monitoramento da qualidade da água, Rodrigo Disner, alertou sobre formas não perceptíveis de poluição hídrica.
“Trabalhamos na perspectiva acadêmica estudando novas formas de contaminação que também estão presentes na água, mas são invisíveis. Isso inclui fármacos eliminados pelas pessoas e que acabam nos rios, além de microplásticos e outros contaminantes químicos”.
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Conscientização desde a infância
Além da importância da educação desde cedo, Luana Pretto destaca que o acesso ao saneamento básico impacta diretamente outros direitos fundamentais, como saúde, educação e dignidade.
“É um grande desafio. Muitas vezes as pessoas não entendem o motivo pelo qual a coleta e o tratamento de esgoto são essenciais. O processo de conscientização precisa alcançar as crianças desde a primeira infância, pois a ausência de saneamento nesse período compromete seu desenvolvimento”, acrescenta, “os adultos também precisam entender que há sempre uma relação entre água, esgoto e sua vida cotidiana. Essa conscientização é fundamental para transformar a realidade do país”.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Além dos convidados, o Brasil ODS recebeu os colunistas Paulo Almeida, Gabriela Chabbouh e Nina Orlow, especialistas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Este programa colabora com o ODS 6 (Água Potável e Saneamento), cujo objetivo visa garantir a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos até 2030, e com o ODS 10 (Redução das Desigualdades), visa reduzir as desigualdades dentro dos países e entre eles.
Brasil ODS
O Brasil ODS é uma produção do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, que conta com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ele vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 16h na Rádio Brasil de Fato.
