São Paulo deve registrar o dobro de trabalhadores ambulantes e catadores no Carnaval 2026
Economia CircularProjeções indicam aumento expressivo da atuação informal durante o Carnaval de 2026, com ambulantes impulsionando a economia popular e catadores ampliando a coleta de recicláveis

No Carnaval de rua de São Paulo, em 2026, o número de trabalhadores informais deve registar crescimento expressivo. A estimativa é de mais de 30 mil vendedores ambulantes atuando de maneira direta e indireta na festa, contabilizando mais que o dobro dos cerca de 15 mil trabalhadores credenciados em 2025, considerando os cadastrados e não cadastrados. Em paralelo, os catadores de materiais recicláveis seguem como protagonistas da limpeza urbana, contribuindo na logística ambiental como eixo central da economia circular do evento.
Mesmo invisibilizados no contexto histórico, ambulantes e catadores sustentam a engrenagem do maior evento popular do país. Por meio de diferentes funções, desempenham papéis complementares que garantem o abastecimento dos foliões, a limpeza das ruas e a circulação de recursos em larga escala.
Enquanto os ambulantes atuam no comércio popular, oferecendo alimentos, bebidas e produtos diretamente ao público, os catadores prestam um serviço ambiental essencial, realizando a coleta, separação e destinação adequada dos resíduos gerados durante a folia.
O impacto econômico no Carnaval paulistano em 2026 também avança, com expectativa de que 4,7 milhões de pessoas circulem por destinos paulistas durante o feriado, de acordo com projeções do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET). Além disso, os foliões devem resultar em uma movimentação financeira direta de R$ 7,3 bilhões.
Dados do Carnaval 2025
No Carnaval do ano anterior, cerca de 524 catadores autônomos atuaram nos principais circuitos da cidade (Ibirapuera, Barra Funda, Rio Branco e Faria Lima). Gerando mais de 32 mil quilos de materiais recicláveis coletados.
A atividade resultou R$ 706,3 mil em renda ao longo de oito dias, somando a prestação de serviços e a comercialização dos materiais. Já a renda per capita foi de R$ 848,77 no período, com diária de R$ 106,10, ou seja, 125% superior à diária proporcional do salário mínimo vigente na época.
A relevância social e econômica do trabalho informal é reconhecida por organismos internacionais:
“A reciclagem urbana e a economia circular dependem diretamente do trabalho dos catadores de materiais recicláveis. Grandes eventos, como o Carnaval, só funcionam porque esses trabalhadores estão nas ruas. As comunidades também se beneficiam, pois eles evitam que resíduos plásticos e latas contaminem rios, ruas e o litoral”, aponta Sonia Dias, especialista em resíduos e inclusão social da WIEGO.
Segundo a coordenadora internacional da organização StreetNet International, Oksana Abboud, “a economia urbana depende diretamente do trabalho dos vendedores ambulantes, e esse reconhecimento precisa se traduzir em direitos, proteção social e participação nas decisões públicas”.
Já o presidente da Aliança Internacional de Catadores, Severino Lima Jr, destaca que “defender os direitos dos catadores e catadoras fortalece a economia circular, reduz desigualdades e contribui para cidades mais resilientes”.
O trabalho de Catadores e Ambulantes é de extrema relevância
No Brasil, a luta por reconhecimento desses trabalhadores não é recente. Dados oficiais indicam mais de 281 mil catadores em atividade, número que pode chegar a 800 mil, segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), devido à informalidade e à subnotificação. Esses trabalhadores são responsáveis por cerca de 90% da reciclagem dos resíduos sólidos urbanos no país, gerando uma economia estimada em até US$ 5,5 bilhões por ano, segundo a Aliança Internacional de Catadores. No mundo, entre 15 e 20 milhões de pessoas sobrevivem da coleta de recicláveis.
O trabalho de ambulantes no país, também é expressivo, envolvendo cerca de 2,3 milhões de pessoas, o equivalente a 2,7% do total da população ocupada, segundo dados da WIEGO do estudo ‘Ambulantes e comerciantes de mercados em 12 países’: um perfil estatístico, de 2024. As mulheres são maioria entre os ambulantes no no Brasil, representando 52,7% do total.
Na cidade de São Paulo, esse contingente soma 210,6 mil trabalhadores, o que corresponde a 2,2% do emprego local, evidenciando a relevância econômica e social do comércio ambulante tanto em âmbito nacional quanto no maior centro urbano do país.
“Catadores e ambulantes sustentam grandes eventos da cidade enfrentando condições extremamente adversas. Trabalham sob sol e chuva, carregam mercadorias e materiais pesados por horas seguidas e, muitas vezes, sem acesso a infraestrutura básica, como água e banheiro”, pontua Sonia.
Conheça a WIEGO
A Women in Informal Employment Globalizing and Organizing (WIEGO) é uma rede que fortalece organizações de trabalhadores em emprego informal no mundo, com foco em mulheres e populações em situação de vulnerabilidade. Atuando na produção de pesquisas, incidência política e fortalecimento de movimentos sociais para ampliação de direitos econômicos e proteção social.
Conheça a StreetNet International
A StreetNet é uma organização global que reúne vendedores ambulantes e trabalhadores da economia informal em dezenas de países. Atuando no fortalecimento da organização coletiva, ampliando acesso a direitos econômicos e humanos e promovendo diálogo com governos e instituições públicas.
Conheça a Aliança Internacional de Catadores
A Aliança Internacional de Catadores é responsável por conectar organizações de catadores em diversos continentes, com o objetivo de fortalecer a luta por reconhecimento profissional, inclusão em políticas públicas e melhoria das condições de trabalho. Além de atuar na articulação internacional e no fortalecimento da economia circular e da gestão sustentável de resíduos.
