Solidariedade multiplicada: do gesto individual ao impacto coletivo

Cultura de Doação
Compartilhar

 

Imagem: ChatGPT

 

Por Custódio Pereira

 

Dois exemplos inspiradores nos mostram o poder transformador da empatia e da filantropia. Se atitudes individuais fizeram tanta diferença, imagine o que muitos ou todos nós poderemos alcançar se formos mais solidários, sensíveis e, especialmente, mais ativos em fazer o bem.

É o caso de Alice Walton, ligada ao império do Walmart. Ao decidir direcionar parte de sua fortuna para a educação, ela criou a Alice L. Walton School of Medicine, uma faculdade gratuita voltada a jovens de baixa renda. Mais do que formar médicos, a proposta da instituição amplia o olhar sobre o cuidado ao integrar artes, humanidades e nutrição. A formação passa a considerar o ser humano de forma completa, reconhecendo corpo, mente e emoções como partes inseparáveis da saúde. Em suas próprias palavras, “criar oportunidades que ajudem pessoas e comunidades a realizarem seus sonhos é a alegria da minha vida”.

Outro exemplo vem de um contexto completamente diferente, mas igualmente potente. Nicholas Winton, um corretor de bolsa britânico, tomou uma decisão que mudaria a vida de centenas de crianças. No final dos anos 1930, diante do avanço do nazismo na Tchecoslováquia, ele organizou uma operação para retirar crianças do país e levá-las em segurança ao Reino Unido. Foram 669 vidas salvas. Um gesto de coragem e humanidade que permaneceu em silêncio por quase meio século e que hoje é reconhecido como um dos grandes atos individuais de solidariedade do século XX.

Histórias como essas mostram que a empatia, quando colocada em prática, tem o poder de gerar mudança. Mas também revelam algo ainda maior. Quando iniciativas individuais encontram caminhos para se conectar, o impacto deixa de ser pontual e passa a ser coletivo.

É justamente nessa lógica que surge o trabalho do FONIF, em parceria com o Semesp e o Instituto Presbiteriano Mackenzie. A criação do Filantropia na Cidade nasce com o propósito de ampliar conexões, dar visibilidade a iniciativas sociais e facilitar o engajamento de instituições e voluntários em todo o país.

Os resultados mostram que esse caminho já está gerando frutos. Em 2025, mais de 40 mil pessoas foram beneficiadas direta e indiretamente, com o apoio de cerca de 6 mil voluntários. Números que, por si só, revelam a força de uma mobilização coletiva. Cada ação, cada projeto e cada pessoa envolvida contribuem para construir uma rede que transforma realidades de forma sustentável.

Mais do que um programa, o Filantropia na Cidade se apresenta como um convite. Um espaço aberto para que instituições e pessoas encontrem formas simples e efetivas de contribuir. Um movimento que reforça a ideia de que fazer o bem pode ser mais acessível do que parece, especialmente quando há organização, propósito e vontade de agir.

Talvez o maior ensinamento dessas histórias não esteja apenas no impacto gerado, mas na constatação de que todos podem fazer parte dessa mudança. A solidariedade não precisa ser grandiosa para começar. Ela só precisa sair do campo das ideias e ganhar o mundo por meio de atitudes.

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Custodio Pereira

Custódio Pereira é presidente do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas – FONIF, mestre em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutor pela Universidade de São Paulo. Também é professor do curso "Governança Corporativa para Instituições Sem Fins Lucrativos", promovido pela Universidade Corporativa FONIF em parceria com o IBGC e o Semesp.