Todos os índices de violência contra a mulher cresceram em 2023

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A violência psicológica, o stalking, os casos de importunação e assédio sexual foram os tipos de violência contra a mulher que mais aumentaram em 2023, em relação ao ano anterior. Os dados são do Anuário de Segurança Pública 2024, divulgados no dia 18 de julho.

Imagem: CANVA

No dia 18 de julho, os dados do novo Anuário de Segurança Pública 2024 foram divulgados, apontando para o crescimento de todas as formas de violências contra a mulher entre 2022 e 2023. Segundo o levantamento anual feito pelo Fórum de Segurança Pública, o número de mulheres que sofreram violência psicológica cresceu 33,8%, totalizando 38.507 casos. Outro aumento expressivo está relacionado à violência sexual, como a importunação e o assédio, que cresceram 48,7% e 28,5% respectivamente.

Estes números de violência contra a mulher não colaboram com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Agenda 2030 da ONU (Organização das Nações Unidas). Afinal, a meta 5.2 do ODS 5 (igualdade de gênero), busca a eliminação de todas as formas de violência contra todas as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo os diferentes tipos de exploração sexual.

O stalking também foi um tipo de violência contra a mulher que apresentou aumento relevante no ano passado, com 34,5% de casos a mais. Este termo em inglês pode ser traduzido para o português como “perseguição”. De acordo com o art.147-A do Código Penal brasileiro é definido como a prática de “Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”.

Vale destacar os números de feminicídio e de tentativa de homicídio contra mulheres, que também tiveram alta em 2023. O feminicídio, definido como os assassinatos intencionais de mulheres em decorrência de seu sexo, cresceu 0,8%, enquanto os casos de tentativa de homicídio contra mulheres subiram 9,8%. Estes aumentos vão na contramão dos índices gerais de mortes violentas intencionais do país, que caíram quase 4% no último ano.

O perfil dos assassinos foi investigado pelo Anuário de Segurança Pública 2024, mostrando que 9 a cada 10 assassinatos contra mulheres são cometidos por homens. Além disso, o levantamento indica que mais de 80% dos homicidas são parceiros ou ex-parceiros íntimos da vítima. “Temos reiteradamente chamado a atenção, neste e em Anuários passados, sobre a casa ser um local inseguro para a mulher. Infelizmente, as ruas também são. Enfrentar o feminicídio exige pensar políticas para dentro e fora das paredes do lar”, afirmou a pesquisadora Isabella Matosinhos em texto de divulgação do Anuário. Isabella é Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública baseia-se em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelas polícias civil, militar e federal, entre outras fontes oficiais da Segurança Pública. Os dados sobre violências contra mulher são um comparativo do período de 2023 em relação a 2022.

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