Mentoria para orientação e suporte na busca pelo primeiro emprego: um caminho essencial para a juventude

Direitos Humanos
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Imagem: Adobe Stock

Por Wandreza Bayona, CEO do Instituto Ser+

A juventude brasileira enfrenta desafios históricos no acesso à educação e ao mercado de trabalho, e, em muitos casos, a falta de apoio e orientação agrava a situação. O cenário dos jovens que não estudam nem trabalham, conhecidos como “nem-nem”, preocupa cada vez mais. Segundo dados recentes do IBGE, o Brasil contabiliza aproximadamente 10 milhões de jovens nessa situação. Para enfrentar esse desafio, a mentoria surge como uma estratégia fundamental, sendo uma ponte entre o desenvolvimento pessoal e profissional, principalmente na busca pelo primeiro emprego.

A transição da escola para o mercado de trabalho não é simples. Muitos jovens em situação de vulnerabilidade não possuem redes de apoio ou orientação adequada. É nesse contexto que a mentoria ganha importância, oferecendo suporte emocional, profissional e prático, sendo uma ferramenta poderosa de inclusão, capacitação e transformação. Programas sociais provaram que a mentoria é uma chave essencial para a inclusão desses jovens, proporcionando-lhes as habilidades necessárias para conquistar espaço no mercado.

A mentoria oferece uma conexão entre jovens e profissionais experientes que compartilham conhecimentos, habilidades e vivências, ajudando-os a se posicionar melhor no mercado de trabalho. O mentor atua como uma bússola, guiando o jovem em aspectos como autoestima, autoconhecimento e descoberta de talentos — pilares essenciais para enfrentar os desafios do primeiro emprego.

O jovem que participa de um programa de mentoria é capaz de enxergar novas perspectivas de carreira e vida. Ele se sente mais preparado para enfrentar entrevistas, adquirir habilidades técnicas e se adaptar às necessidades do mercado. Mais importante, ele passa a acreditar em seu potencial.

Acompanho de perto o impacto da mentoria em centenas de jovens. Aqueles que recebem esse tipo de apoio desenvolvem não apenas competências profissionais, mas também autoconfiança e resiliência. As empresas que se envolvem nesses programas também se beneficiam, pois passam a contar com uma mão de obra mais qualificada e motivada, além de promover uma cultura de inclusão e diversidade. O impacto é profundo, e juntos podemos garantir que esses jovens não sejam apenas parte de uma estatística, mas que ocupem seu lugar de direito no mercado de trabalho.

Por fim, vale a reflexão: se cada um de nós pudesse dedicar um pouco de nosso tempo, expertise e orientação a esses jovens, que impacto real poderíamos gerar em suas vidas? Até onde um simples gesto de orientação poderia transformar trajetórias? Ao refletirmos sobre isso, percebemos que a mentoria vai além de capacitar jovens para o mercado de trabalho — é sobre abrir portas que, para muitos, parecem trancadas. Talvez, ao ajudá-los a encontrar seu caminho, possamos descobrir novos significados em nossas próprias jornadas.

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

Sobre a autora:
Wandreza Bayona é CEO do Ser+, que desde 2014 atua na criação e desenvolvimento de oportunidades para a juventude, formada em Serviço Social pelo Centro Universitário FMU, com especialização em responsabilidade social corporativa e terceiro setor pela universidade FIA (Fundação Instituto de Administração) e LDR pela Saint Paul.  Possui mais de 20 anos de experiência na área de Responsabilidade Social Corporativa, com foco em desenvolvimento e implantação de programas de RSC.