48% dos alunos de 8º e 9º ano não se sentem seguros na escola, aponta MEC

Educação
Compartilhar

Relatório nacional ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes e revela queda na percepção de acolhimento e valorização conforme a idade avança

Quase metade dos alunos do 8º e 9º ano não se sente segura na escola, aponta pesquisa do MEC
Imagem: Divulgação

Quase metade (48%) dos alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental da rede pública brasileira afirma não encontrar um ambiente seguro na escola. O dado integra o Relatório Nacional da Escuta das Adolescências nas Escolas, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Consed, a Undime e o Itaú Social.

A pesquisa inédita ouviu mais de 2,3 milhões de adolescentes dos anos finais do ensino fundamental, entre os dias 13 e 31 de maio de 2024, durante a Semana da Escuta das Adolescências. A mobilização envolveu 21,6 mil escolas públicas em todo o país, equivalente a 46% das instituições que ofertam essa etapa de ensino.

Os dados mostram que a visão sobre a escola muda ao longo da adolescência. Entre alunos do 6º e 7º anos, 36% disseram não considerar a escola um ambiente seguro. Já no 8º e 9º anos, essa percepção negativa salta para 48%.

A confiança nos adultos também diminui, 75% dos estudantes mais jovens afirmaram ter pelo menos um adulto em quem confiar na escola, contra 66% dos mais velhos. Quanto ao sentimento de acolhimento, a diferença é ainda mais acentuada, 58% entre os mais novos e somente 45% entre os que estão prestes a concluir o fundamental.

Para acessar o documento basta clicar aqui!

Relação com professores preocupa

Outro ponto crítico identificado é a percepção dos vínculos entre estudantes e professores. Entre os alunos do 6º e 7º anos, 71% consideram que os profissionais respeitam e valorizam os estudantes. No 8º e 9º anos, o índice cai para 56%. Já quando a pergunta é invertida, apenas 39% dos mais novos e 26% dos mais velhos afirmam que os alunos valorizam os professores.

Segundo o relatório, esse cenário revela um desafio urgente para as escolas. “O reconhecimento por parte de adolescentes, de que há problemas na relação com professores, revela um desafio preocupante, mas também pode ser um estímulo para que sejam estabelecidos novos diálogos e vínculos mais colaborativos na escola”, aponta o documento.

Escola como espaço de socialização

Apesar dos problemas, a escola segue sendo vista como um espaço importante para a socialização. Cerca de 80% dos estudantes de todos os anos disseram ter amigos com quem gostam de estar no ambiente escolar.

O MEC destaca que as percepções variam conforme a idade e também segundo o contexto socioeconômico das escolas. Nas instituições com maior proporção de alunos em situação de vulnerabilidade, 69% veem a escola como espaço de acolhimento, contra 56% nas menos vulneráveis.

Educação em transformação

A pesquisa faz parte do Programa Escola das Adolescências, lançado pelo MEC para ampliar o engajamento de jovens com a aprendizagem e tornar o ambiente escolar mais atrativo. A expectativa é que os resultados orientem políticas públicas voltadas ao fortalecimento de vínculos e ao desenvolvimento integral dos estudantes.