Novos Fenômenos são construídos por meio de programa da fundação de Ronaldo

Impacto das ONGs
Compartilhar
O instituidor da Fundação Fenômenos, Ronaldo, a diretora Amanda Busch e a presidente, Celina Locks – Foto: Terra Preta Produções

Por Andréa Wolffenbüttel

Quando alguém fala no Fenômeno, todo mundo lembra do camisa 9 da seleção brasileira campeã de 1994 e 2002. Mas como se constrói um Fenômeno? Você já pensou nisso? O próprio Ronaldo Fenômeno se fez essa pergunta e fundou uma organização social para preparar novos Fenômenos. Não no futebol, mas no campo social. 

O programa que constrói os fenômenos sociais se chama Fenômenos Academy. Trata-se de uma formação individualizada, dedicada a lideranças sociais que atuam diretamente em seus territórios. Esses líderes — que são selecionados por meio de um edital — aprendem a enxergar melhor seu papel nas comunidades, a organizar o trabalho, a elaborar o discurso para captação de recursos, a administrar a organização, e, sobretudo, a entender que são Fenômenos porque conseguem criar mudanças positivas em suas realidades e na de muitas outras pessoas. 

Clique aqui para conferir entrevista exclusiva do Ronaldo Fenômeno ao Observatório do Terceiro Setor!

A experiência da Fenômenos Academy fez com que passasse a me enxergar como uma liderança, como uma potência. Me empoderou e empoderou a causa pela qual eu luto, que é a da comunidade surda”, conta Igor Bastos Silva, um rapaz de apenas 19 anos, da cidade de Itabuna, no sul do estado da Bahia, que já criou sua própria organização, a Mãos Mágicas, para promover a educação e a inclusão de pessoas com deficiência auditiva, por meio do ensino da língua brasileira de sinais, Libras. 

Igor Bastos, fundador da ONG Mãos Mágicas — Foto: Andréa Wolffenbüttel

Jessica Peçanha, outro Fenômeno, veio do Rio de Janeiro. Ela é diretora de uma organização na comunidade do Jacarezinho chamada Crescer, que realiza muitos projetos. Foi ao passar pela Fenômenos Academy que conseguiu entender o foco da sua instituição e organizar o trabalho em um fluxo que faz sentido para ela e para os demais participantes. “Tudo o que parecia meio solto, inglês, jiu-jitsu, alimentação, agora está reunido em um Programa Integral de Desenvolvimento Infantil. Agora eu sei explicar e apresentar o que eu faço”, diz Jessica, que esteve na primeira edição do programa. 

Jessica Peçanha, diretora da ONG Crescer – Foto: Andréa Wolffenbüttel

Até agora, 209 lideranças passaram pelas duas edições da Fenômenos Academy e dez foram escolhidas para um evento especial: vir a São Paulo participar do Demoday, que aconteceu nos dias 29 e 30 de outubro. Os Fenômenos passaram um dia em uma imersão de desenvolvimento interior, para lidar com desafios sociais, e no dia seguinte tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos para um grupo de potenciais apoiadores. 

Os dez finalistas da segunda edição da Fenômenos Academy – Foto: Terra Preta Produções

Além da vivência no Demoday, as dez lideranças receberam uma doação de R$ 5 mil, cada uma, e três foram escolhidas para um prêmio no valor de R$ 30 mil, R$ 20 mil e R$ 10 mil para a primeira, segunda e terceira colocada respectivamente. Os recursos devem ser aplicados no desenvolvimento de suas organizações sociais, do jeito que acharem melhor. 

E o grande final do Demoday, como não poderia deixar de ser, foi um encontro com quem idealizou a fábrica de Fenômenos, ou seja, o próprio Ronaldo Fenômeno. 

Conheça as dez lideranças que participaram do Demoday. 

  • Ana Lúcia Chagas – ABCD – Associação Benevolente Contra a Desigualdade atua no esporte, promovendo futebol feminino para crianças e adolescentes, em Carapicuíba/SP;
  • Ana Lúcia Silva Costa – Projeto Semeando Amor atua na educação da comunidade de Areia Branca, em Lauro de Freitas/BA;
  • Ana Muza de Souza – PPG Informativo que garante acesso à informação de qualidade as mulheres das favelas de Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, no Rio de Janeiro/RJ;
  • Daniel dos Santos Silva – Pretas têm Dendê atua na valorização da identidade e cultura negra criando oportunidades reais para mulheres pretas e periféricas, através de oficinas de arte e empreendedorismo, em Salvador/BA;
  • Edilane Olimpo Teodoro – Ass. Guerreiras em Ação promove a inclusão social, educacional e profissional às pessoas com deficiência, em Nova Era/MG;
  • Gustavo de Moura Azevedo – Instituto Peralta promove o basquete na periferia como ferramenta de inclusão e transformação social, em São Paulo/SP;
  • Igor Bastos Silva – Mãos Mágicas promove a educação e a inclusão de pessoas surdas, através do ensino da língua de sinais – Libras, em Itabuna/BA;
  • Mércio Torres da Silva – Songa & Songuinha atua na educação com alegria para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, através do projeto EducaNARUA, em São Gonçalo Amarante/RN;
  • Rafaela Gigliotti – Ass. Rocinha em Cena promove arte e educação para crianças e adolescentes da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro/RJ.