COP30: presidente do INEC fala do desafio de transformar caos em esperança
Economia CircularMarcelo Souza, presidente do Instituto de Economia Circular (INEC), alerta para as contradições sociais e econômicas envolvendo a COP30, em Belém

Belém está recebendo a conferência climática mais importante da história recente do Brasil, a COP30. O evento, que reúne líderes de todo o mundo, deve conectar a transição ecológica global à realidade amazônica e pode representar uma virada na diplomacia ambiental.
No entanto, o cenário local também expõe contradições. Para Marcelo Souza, presidente do Instituto de Economia Circular (INEC) e CEO da Indústria Fox, enquanto a expectativa de desenvolvimento cresce, a população enfrenta distorções econômicas e sociais.
Ele lembra que as diárias de hotéis que custavam cerca de R$ 200 já chegaram a R$ 1.500, e o aumento de preços em restaurantes, transportes e serviços turísticos tem pressionado moradores e pequenos negócios.
Souza também destaca que, segundo a Transparência Internacional, dos R$ 2,8 bilhões previstos em obras relacionadas à COP30, somente uma parte possui dados públicos sobre licenças e contratos, levantando preocupações sobre transparência e desigualdade.
Para Souza, a conferência em Belém simboliza tanto as esperanças quanto as contradições do país. “Belém deveria ser símbolo de esperança, mas tornou-se espelho das nossas contradições. Falamos de transição energética, mas seguimos aprovando novos blocos de petróleo. Discutimos sustentabilidade enquanto desmatamos para abrir estradas”, afirma.
Com os recentes desastres climáticos — como enchentes no Rio Grande do Sul, tornados no Paraná e ondas de calor no Sudeste — Souza acredita que a urgência da agenda ambiental se torna mais evidente.
“A natureza é capaz de se regenerar; nós talvez não tenhamos o mesmo tempo” — Marcelo Souza
Apesar das dificuldades, ele acredita que a COP30 pode marcar um ponto de virada. “O verdadeiro legado da COP30 deve ser a coerência. Não se trata apenas de sediar uma conferência, mas de mostrar que o Brasil pode liderar pelo exemplo — transformando resíduos em recursos e alinhando desenvolvimento com respeito ambiental”.
Para o pesquisador, o desafio é garantir que o legado econômico alcance os trabalhadores e as obras deixem benefícios duradouros. “O turismo verde deve gerar inclusão social, e a Amazônia precisa ser protagonista, não apenas cenário”, completa.
Souza conclui que a conferência pode unir o país em torno de um novo caminho, “onde o inconformismo se torna motor da esperança e onde o Brasil decide mudar de rota — não para salvar o planeta, mas para não deixá-lo bravo conosco.”
