Prêmio homenageia figuras centrais da luta pelos direitos humanos no Brasil
PremiaçãoNa 3ª edição do Prêmio Memória e Resistência, o Núcleo de Preservação da Memória Política reconhece trajetórias marcantes da luta contra a ditadura militar e pela defesa da democracia

O Núcleo de Preservação da Memória Política (NM) anunciou os homenageados da 3ª edição do Prêmio Memória e Resistência, que reconhece personalidades que dedicaram suas vidas à defesa da Memória, Verdade, Justiça e Reparação no contexto das violações cometidas durante a ditadura militar brasileira (1964–1985). Nesta edição, serão celebradas as trajetórias do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e de Ilda Martins da Silva, ex-presa política e viúva de Virgílio Gomes da Silva, o primeiro desaparecido político do regime.
O prêmio busca valorizar indivíduos que enfrentaram tortura, perseguição e exílio, mas seguiram firmes na resistência pela construção de um país mais justo e democrático.
Luiz Eduardo Greenhalgh, recém-formado em Direito quando confrontou pela primeira vez a violência do regime ao buscar informações sobre um amigo preso pelo DOI-Codi/SP, dedicou sua carreira à defesa de presos políticos. Atuou em mais de 40 casos e participou de projetos fundamentais como Brasil: Nunca Mais e O Clamor, além de integrar a fundação do Comitê Brasileiro pela Anistia. Ao longo das décadas seguintes, marcou presença na vida pública como vice-prefeito de São Paulo e deputado federal.
Ilda Martins da Silva, mãe e dona de casa à época da prisão, foi mantida por nove meses sob tortura, tendo seus filhos retirados e colocados para adoção. Viúva de Virgílio Gomes da Silva, militante da ALN assassinado em 1969, enfrentou perseguição mesmo após sua libertação, sendo forçada ao exílio com seus quatro filhos. Em uma travessia marcada pela coragem, passou por Foz do Iguaçu, Paraguai, Argentina e Chile até encontrar segurança em Cuba, onde pôde reconstruir sua vida e garantir educação universitária a todos os filhos.
Para Maurice Politi, diretor-executivo do NM e ex-preso político, os homenageados simbolizam “perseverança no combate ao arbítrio durante os anos de chumbo”, reforçando que resistência ativa é essencial para fortalecer os princípios democráticos.
A entrega dos prêmios ocorrerá em 13 de dezembro, no antigo prédio do DOI-Codi/SP, um dos principais centros de tortura da repressão militar. O local, hoje mantido pelo Núcleo como espaço de memória, já recebeu mais de cinco mil visitantes em atividades educativas com estudantes e o público geral.
As visitas mediadas incluem relatos de ex-presos políticos, permitindo que gerações mais jovens compreendam como funcionava a estrutura repressiva e quais impactos ainda atravessam a sociedade brasileira.
Segundo o educador César Novelli Rodrigues, esses espaços “não são meros depósitos de lembranças, mas lugares ativos de construção de narrativas que confrontam o silêncio e promovem justiça e reparação”.
A cerimônia será especialmente simbólica, Greenhalgh retorna ao prédio onde sua trajetória mudou para sempre, e a família de Ilda entra no local onde Virgílio foi morto, um ato de memória e afirmação política.
Serviço
3ª edição do Prêmio Memória e Resistência
13 de dezembro, às 11h
Antigo Prédio do DOI-Codi/SP – Rua Tutoia, 921, Paraíso
