BTS inspira mobilização no terceiro setor e impulsiona projeto social liderada por fãs no Brasil
ONGs em AçãoProjeto Army Help the Planet, criado por fãs do BTS, transforma a força do fandom em ações socioambientais, parcerias institucionais e participação em debates globais como a COP 30

Por Vitória Serrão.
O grupo sul-coreano de K-pop, BTS, reúne milhões de fãs ao redor do mundo, conhecidos como ARMY, e além dos recordes nas paradas musicais e do sucesso nas redes sociais, a influência do grupo tem impulsionado iniciativas de impacto social positivo lideradas por comunidades de fãs em diferentes países.
É o caso do Army Help The Planet (AHTP), iniciativa brasileira sem fins lucrativos, desenvolvida por profissionais multidisciplinares que são fãs do BTS e que nasceu inspirada nas ações de solidariedade e filantropia promovidas pelo grupo. O AHTP busca contribuir para tornar o mundo um lugar melhor por meio de ações voltadas ao meio ambiente, à sociedade, às políticas públicas e a outros temas de relevância social.
O projeto teve início em agosto de 2019, durante as queimadas que atingiram a Floresta Amazônica e devastaram uma área estimada em 41 mil km², de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Foi nesse contexto que a base de fãs brasileiras do BTS, conhecida como B-ARMY, mobilizou organicamente uma campanha digital nacional com a hashtag #ArmyHelpThePlanet na rede social X (antigo Twitter), que viralizou e mobilizou apoiadores de várias partes do mundo em torno da causa ambiental.
“A partir da percepção do grande poder de mobilização que o fandom possui, muitos B-ARMYs decidiram que esse impacto não deveria ser apenas temporário. Assim, diversos especialistas do fandom, atuantes em diferentes áreas, se voluntariaram, juntamente com bases de fãs brasileiras, para estruturar uma iniciativa que desse continuidade às ações”, comenta Mariana Faciroli, advogada, cofundadora e codiretora do Army Help the Planet.
Atualmente, o projeto conta com especialistas de diversas áreas, como advogadas, engenheiras ambientais, psicólogas, tradutoras e designers. Ao todo, são 28 voluntárias distribuídas em diferentes estados do Brasil, além do apoio de milhares de seguidores nas redes sociais.
O BTS une arte, cultura e impacto social em escala global
O BTS é composto pelos integrantes Jungkook, V, Jimin, RM, J-Hope, SUGA e Jin, que estreou em 2013. Ao longo dos anos, o grupo tem realizado contribuições significativas na sociedade, como a parceria iniciada em 2017 com a UNICEF, através da campanha “Love Myself” que arrecadou mais de US$ 6,6 milhões, alcançando 126 milhões de pessoas no mundo, incentivando cuidados com a saúde mental e o amor-próprio.
Para Mariana Faciroli, os membros do BTS incentivam os fãs tanto em sua arte como em suas ações pessoais, influenciando o pensamento crítico e a reflexão sobre diversos temas relevantes, como política, questões socioeconômicas, desemprego juvenil, desigualdade social e econômica, saúde mental e o amor-próprio.
“Os membros do BTS têm inspirado pessoas em todo o mundo a usar suas próprias vozes, a “speak yourself” e a tomar uma posição ativa, encorajando a tomada de ações para as mudanças que desejam em suas realidades, fazendo do ARMY uma força poderosa no engajamento em questões sociais e ambientais. Assim, o ARMY funciona como um espelho da mensagem e ações do grupo que tanto nos inspira,”compartilha Mariana Faciroli.
Em 2021, a Coreia do Sul nomeou o BTS como Enviado Presidencial para as Gerações Futuras e a Cultura, o que levou o grupo à participação no evento “SGD Moment”, na Assembleia Geral da ONU.
Movimentos de fandoms podem fortalecer o terceiro setor
Diante da ascensão das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), as redes sociais e o ambiente digital passaram a ocupar um papel estratégico na ampliação do alcance social e visibilidade. Segundo dados da pesquisa realizada em 2022, pela TIC Organizações Sem Fins Lucrativos, cerca de 82% das organizações do terceiro setor no Brasil utilizam internet em suas atividades.

Nessa realidade, influências positivas de diferentes públicos, como as comunidades de fãs, têm contribuído para o fortalecimento de pautas socioambientais e para a conscientização política, criando novas formas de organização coletiva que vão além dos modelos tradicionais. Para o fandom do BTS, esse ativismo ganhou força, a partir de uma comunidade global altamente organizada, que rompe com o estereótipo de que fãs apenas consomem a arte de seus ídolos e passam a atuar de forma ativa em causas sociais, ambientais e políticas.
“Hoje, vemos que fandoms representam um novo ator de organização coletiva para participação no cenário contemporâneo. As novas configurações sociais surgidas com a globalização e a massificação das redes sociais possibilitaram o surgimento desse novo ente: o fandom, que oferece espaços de pertencimento, identidade coletiva e canais efetivos para a participação cidadã”, ressalta a codiretora do Army Help the Planet, Mariana Faciroli.
Em reflexão aos estereótipos de superficialidade e imaturidade frequentemente associados a fãs de cultura pop, especialmente mulheres, Mariana destaca que essa percepção não corresponde à realidade e carrega uma carga misógina e etarista profundamente problemática. Segundo ela, o próprio Army Help the Planet enfrentou desafios no início devido a esse olhar enviesado, cenário que vem mudando com o crescimento da iniciativa e o estabelecimento de parcerias com entidades como Greenpeace, UNICEF Brasil, Instituto Mamirauá, Fiocruz, entre outras.
“A realidade é muito mais complexa e rica. No ARMY, encontramos pessoas de todas as idades, gêneros, profissões e trajetórias. Inicialmente, nossas ações (AHTP) eram vistas com bastante ceticismo em virtude desse olhar enviesado. Mas acreditamos que, com a seriedade, relevância e alcance do nosso trabalho, estamos conseguindo, aos poucos, transformar essa percepção”, enfatiza Mariana Faciroli.
O Army Help The Planet transforma admiração em impacto social

O Army Help The Planet (AHTP) atua como um exemplo prático do poder de influências positivas no ambiente digital. Desde 2019, a iniciativa tem realizado diversas campanhas socioambientais, incluindo ações de coleta de resíduos sólidos, projetos voltados aos biomas da Amazônia e do Pantanal, parcerias estratégicas e doações, ampliando o alcance de causas sociais e ambientais.
O projeto também já foi representado no World Peace Forum 2022, em Busan na Coréia do Sul, através de sua codiretora Mariana Faciroli, que discursou sobre liderança juvenil, voluntariado da sociedade civil e o alcance das ODS da Agenda 2030.
Em 2025, o AHTP também participou da COP 30 em um painel na blue zone, fazendo parte da delegação coreana, uma conquista que a equipe relembra com felicidade, em razão de estar presente em um cenário internacional de debates sobre mudanças climáticas. “Participar da COP 30 nos enche de orgulho, pois mostra o quão longe nosso trabalho está chegando. Significa que estamos tendo impacto e relevância”, comenta Mariana.
Segundo Mariana, a motivação do projeto também está alinhada aos valores transmitidos pelo BTS, especialmente o lema “teamwork makes the dream work”, que reforça o poder da contribuição da coletividade na construção de mudanças sociais.
“Ser fãs de artistas como o BTS e fazer parte de uma comunidade como a ARMY é algo realmente mágico. Esse sentimento único de pertencimento, de entendimento mútuo e de receber tanto desse enlace BTSxARMY realmente nos inspira a vontade de retribuir ao mundo um pouco disso que recebemos”, finaliza Mariana Faciroli, codiretora do AHTP.
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