Número de meninas que se automutilam na adolescência acende alerta para a saúde mental
Saúde InfantilSaúde Mental na Adolescência – Autolesão foi tema do programa Brasil ODS, no mês de junho; durante o programa, especialistas apontam que a autolesão entre adolescentes, especialmente meninas, está ligada ao sofrimento emocional e à dificuldade de expressar sentimentos

Por Sabrina Azevedo
Especialistas mostram como a automutilação tem afetado, de forma alarmante, a saúde mental de adolescentes, especialmente do sexo feminino. O programa Brasil ODS recebeu Luiza Cesar Riani Costa, psicóloga pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mestre em Ciências da Saúde pelo programa de pós-graduação em Enfermagem da UFSCar, e Milena Del Santo Rosa, psicóloga hospitalar do Sabará Hospital Infantil.
Estima-se que 14,6 milhões de pessoas no mundo se autolesionem por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, especialistas alertam que a prática tem crescido entre meninas como uma tentativa de aliviar dores emocionais profundas.
Pesquisas apontam também que um em cada sete adolescentes enfrente algum tipo de sofrimento psíquico, sendo que metade dos casos começa antes dos 14 anos de idade.
Para muitos jovens, a automutilação não é um desejo de morrer, mas uma tentativa de lidar com dores internas que não conseguem expressar em palavras. É uma forma de enfrentamento ao sofrimento causado por depressão, ansiedade, traumas e outros fatores emocionais.
Adolescência e sofrimento silencioso
Durante o programa, Luiza Riani, que também é autora da cartilha O QUE ALIVIA A MINHA DOR: FOTOS E EXPERIÊNCIAS DE ADOLESCENTES, comenta como foi o processo de elaboração dessa cartilha e aponta que um dos fatores psicológicos desses adolescentes pode ser observado como intergeracional e social.
“Muitas vezes, a dor e o sofrimento que vinham dessas meninas são dores e sofrimentos que estavam presentes na mãe e que estavam presentes na avó. Então, esse espaço de ser mulher no Brasil, na situação em que estamos, mostra como as dores vão passando de geração em geração”, e acrescenta, “Muitos dos problemas, muitas das histórias, tinham a ver com questões sociais, raciais, econômicas. Então, é muito maior que as questões individuais. Ela sempre tem a ver com as pessoas ao redor e com a situação social ao redor.”
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Mais meninas em sofrimento
As pesquisadoras destacaram que, embora a autolesão ocorra entre todos os gêneros, há uma prevalência maior entre as meninas. Fatores como cobrança estética, pressões sociais, abuso, violência doméstica e baixa autoestima estão entre os principais gatilhos.
A psicóloga Milena Rosa, aponta que a sociedade ainda impõe padrões rígidos sobre o comportamento feminino, o que pode tornar a experiência emocional das meninas ainda mais solitária e dolorosa. “Posso destacar grupos de histórias parecidas, de meninas que se sentiam muito mal com o próprio corpo, e que precisavam mudá-lo, e não estavam felizes.”
A fase da adolescência é marcada por intensas mudanças físicas, emocionais e sociais. Neste contexto, a autolesão surge como um dos sintomas mais preocupantes dos transtornos mentais nessa faixa etária.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Além dos convidados, o Brasil ODS recebeu os colunistas Paulo Almeida, Gabriela Chabbouh e Nina Orlow, especialistasnos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Este programa colabora com o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), cujo objetivo é garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, e com o ODS 04 (Educação de qualidade), visa assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos.
Brasil ODS
O Brasil ODS é uma produção do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, que conta com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ele vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 16h na Rádio Brasil de Fato.
