Câncer de colo de útero ainda mata mais de 7 mil mulheres por ano no Brasil

Direitos Humanos
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Estimativas apontam aumento do câncer de colo de útero no país, enquanto especialistas alertam para desigualdades regionais, baixa cobertura de exames e vacinação contra o HPV

Imagem: Magnific

Por Vitória Serrão.

O câncer de colo de útero segue sendo uma das principais causas de morte e adoecimento de mulheres no Brasil. Segundo novas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), de 2026 a 2028, serão registrados cerca de 19,3 mil novos casos por ano, um crescimento de aproximadamente 13% em relação ao triênio anterior.

Mesmo sendo uma doença amplamente prevenível e com potencial de eliminação, os principais desafios ainda estão relacionados às desigualdades no acesso à informação, à prevenção e ao tratamento. O câncer de colo do útero é o segundo mais incidente entre mulheres nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Sudeste ocupa a quinta posição.

O cenário revela que a falta de acesso a serviços de saúde e informação continua sendo um fator de risco relevante, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social e econômica. Atualmente, mais de 7,2 mil mulheres perdem a vida todos os anos em decorrência da doença.

Em destaque a essa questão, o programa Brasil ODS debate, em seu novo episódio “Índices de câncer cervical e HPV apontam desigualdades sociais no Brasil”. Apresentado pelo jornalista e fundador do Observatório do Terceiro Setor (OTS), Joel Scala, o bate-papo também contou com o apoio da colunista do OTS, Nina Orlow. A discussão está  alinhada ao ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) da Agenda 2030 e se desenvolve a partir de uma pesquisa que revela as desigualdades no acesso ao tratamento e à prevenção da doença.

O acesso a saúde deve ser para todos

Segundo a pesquisadora Dra. Luisa Villa, referência na área de HPV e câncer cervical, o HPV (papiloma vírus humano) é um grupo de vírus capazes de causar tumores principalmente no colo do útero, mas também em outras regiões do corpo. O vírus está associado a cerca de metade dos casos de câncer de pênis, 90% dos cânceres do canal anal e 40% dos cânceres de orofaringe, além de estar relacionado a casos de câncer de vulva e vagina.

A especialista destaca que existem várias causas que junto ao HPV contribuem para o desenvolvimento da doença , como o fumo, o uso de anticoncepcionais com diferentes graus, mas o principal problema ainda é a falta de acesso aos serviços de saúde.

“A mulher que morre de câncer de colo de útero  é aquela que nunca foi rastreada. Ela não passou por um exame simples, como o papanicolau (preventivo), disponível gratuitamente no Brasil para mulheres de 25 a 64 anos. As que morrem são, muitas vezes, as invisíveis no sistema de saúde”, afirma.

Para o oncologista Dr. Ricardo Caponero do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ampliar o acesso à vacinação contra o HPV é fundamental. Quando diagnosticado precocemente, o câncer de colo de útero é uma das formas mais tratáveis de sucesso. Mesmo em estágios mais avançados, pode ser controlado com tratamento adequado e cuidados paliativos.

O médico reforça que a vacinação de meninas e meninos entre 9 e 14 anos, conforme recomendado no Brasil, é uma estratégia essencial para prevenir a doença no futuro. No entanto, ele alerta que a adesão ainda é baixa.

“A vacina está disponível nos postos de saúde, mas a procura ainda é insuficiente. Por isso, investir em conscientização e educação é fundamental para ampliar a cobertura e reduzir os casos da doença”, destaca.

Acompanhe o Brasil ODS

O Brasil ODS é uma produção audiovisual do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A iniciativa é voltada à divulgação científica e ao debate público sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

O programa vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 15h na Rádio Brasil de Fato.

Clique aqui para conferir o programa completo!