Com 80% de desemprego, crianças são obrigadas a trabalhar em Gaza

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Oito meses após o início da guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, a Organização Internacional do Trabalho alertou que as famílias precisam enviar suas crianças para o trabalho apenas para sobreviver, já que o desemprego se aproxima de 80%. Dia 12 de junho é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil.

Crianças em Gaza coletam papelão/Imagem: UNICEF/Eyad El Baba

Oito meses após o início da guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), alertou que as famílias precisam enviar suas crianças para o  trabalho para sobreviver, já que o desemprego se aproxima de 80%.

Os detalhes desse desenvolvimento e a “devastação sem precedentes” do mercado de trabalho palestino e da economia em geral, além de Gaza e da Cisjordânia, estão descritos em um novo relatório da OIT.

O diretor-geral da agência da ONU, Gilbert Houngbo, disse à 112ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, que o mercado laboral em Gaza havia “entrado em colapso” desde os ataques terroristas liderados pelo Hamas contra Israel em outubro passado, que desencadearam a “guerra implacável” de Israel.

Ele adicionou que Gaza está em ruínas, com os meios de subsistência destruídos e o trabalho escasso. Na avaliação do líder da OIT, este foi o ano mais difícil para os trabalhadores palestinos desde 1967.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, informou que 464 ataques à saúde na Faixa de Gaza foram documentados desde 7 de outubro. Os dados revelam que os ataques resultaram em 727 mortes, 933 feridos, afetaram 101 instalações de saúde e 113 ambulâncias.

 

Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil

No dia 12 de junho é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. No Brasil, segundo dados do IBGE de 2022, um milhão e novecentas mil crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, estavam em situação de trabalho infantil no país, o que representa 4,9% da população nessa faixa etária. Conforme previsto na Constituição Brasileira, é proibido que crianças de até 13 anos exerçam qualquer tipo de trabalho. Entre os 14 e 16 anos, é admitida uma exceção para o trabalho na condição de jovem aprendiz, enquanto dos 16 aos 17 anos, a permissão é parcial.

Promovendo a conscientização sobre o tema, a Fundação Abrinq promove a campanha nacional ‘Não ao Trabalho Infantil’. Esse tipo de prática é uma clara violação dos direitos, o que vai ao encontro do que é estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Situações como essa prejudica diretamente o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, tanto pelo esforço físico exigido quanto pela interferência negativa no desempenho escolar, algo fundamental nestas fases da vida.

A Fundação Abrinq pretende conscientizar e mobilizar a população sobre a importância de combater esta prática. Neste ano, a iniciativa foca na presença de crianças e adolescentes no mercado de trabalho, desmistificando a ideia de que o trabalho infantil é algo culturalmente aceitável. A campanha reforça que o trabalho precoce é uma violação de direitos e não deve ser normalizado.

Ao denunciar a normalização do trabalho infantil, a Fundação Abrinq busca o engajamento coletivo de governantes, setores públicos e privados, organizações não governamentais e cidadãos conscientes. “Acreditamos que somente com o comprometimento de todos os setores da sociedade poderemos erradicar o trabalho infantil, proporcionando às nossas crianças o respeito e a proteção que merecem”, destaca o gerente executivo da Fundação Abrinq, Victor Graça.

A campanha disponibiliza materiais de conscientização como cartazes, posts para redes sociais, banners e, inclusive, um e-book com as principais informações sobre a violação. Para participar da iniciativa, basta acessar o site oficial da campanha www.naoaotrabalhoinfantil.org.br  e fazer o download dos materiais disponíveis.

 

 

Fontes: ONU News, Senado Federal e Abrinq