Como promover festas de fim de ano inclusivas

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Foto: Banco de imagens/Freepik

O calendário de festas de fim de ano traz um desafio sensorial e de rotina para familiares de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Deficiência Intelectual. Mudanças bruscas, sons intensos e excesso de interações sociais provocam a hipersensibilidade de algumas pessoas e exigem adaptações nos ambientes festivos.

A relevância do tema é crescente, enquanto o Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta prevalência de uma em cada 36 crianças, a Deficiência Intelectual afeta entre 1% e 3% da população mundial, grupo que precisa de suporte adicional para compreensão de situações, adaptação de rotinas e participação social significativa.

“O fim de ano é um período de ruptura da rotina, portanto, um momento delicado que requer atenção e cuidados especiais. Com pequenas adaptações, é possível garantir conforto, segurança emocional e participação real. E quando entendemos as necessidades específicas dos convidados, abrimos espaço para que todos aproveitem a celebração”, explica Marina Alves, supervisora da área de Neurodesenvolvimento Infantil do Instituto Jô Clemente (IJC), Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos que promove saúde, qualidade de vida e inclusão para pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras.

Com o objetivo de promover festas mais inclusivas e acessíveis, o IJC preparou orientações práticas para famílias e organizadores de eventos, que passa por três eixos centrais: antecipação, controle sensorial e comunicação adaptada.

1. Antecipação e preparação da rotina

Comunicação visual simples: use calendários, fotos, vídeos e explicações objetivas para apresentar a chegada das festas.
Explicação de passo a passo: antecipe como será o evento, o que vai acontecer primeiro,durante e no encerramento . Isso ajudará tanto na previsibilidade quanto na compreensão.
Histórias sociais e exemplos: mostre imagens de festas passadas e explique possíveis mudanças, como novo local, novos convidados ou novos horários.
Envolvimento ativo: permita que a pessoa participe da preparação: escolher roupas, ajudar na decoração, definir músicas ou selecionar atividades que gostaria de fazer. A participação aumenta o senso de controle e de pertencimento.

2. Ajustes no ambiente sensorial e estrutural

Controle de Estímulos: use luzes neutras, reduza os barulhos intensos e tenha abafadores de ouvido em casos de sensibilidade auditiva. Prepare um espaço de calma para pausas sensoriais.
Ambiente estruturado mantenha sinalizações simples, como placas indicando banheiro, cozinha ou área externa, e organize o espaço de forma visualmente clara. Isso facilita a orientação, autonomia e reduz a ansiedade.
Rotina flexível, mas previsível: horários muito diferentes da rotina podem causar desregulação emocional. Combine antecipadamente os horários de chegada, alimentação e descanso.

3. Comunicação e respeito aos limites

Sensibilização prévia dos convidados: explique aos convidados tanto os desafios sensoriais, quanto as necessidades de apoio cognitivo.Incentive que sejam pacientes, claros e respeitosos nas interações.
Comunicação acessível (DI): fale devagar, sem infantilizar, usando frases diretas. Reforços positivos ajudam na adaptação ao ambiente novo.
Respeito às preferências e autonomia: permita que a pessoa escolha roupas confortáveis, tenha um tempo para se retirar e decida como e até se quer participar das dinâmicas sociais.

“A inclusão acontece quando tratamos cada pessoa como única. Algumas precisam de silêncio, outras de explicações mais claras, outras de tempo para se adaptar. Ao ajustar o ambiente, reduzir estímulos e favorecer a compreensão, criamos momentos felizes e acolhedores, onde ninguém precisa se moldar para participar”, finaliza Marina.