Estoque de alimentos da ONU no Haiti pode acabar até o fim de julho, alerta PMA
Direitos HumanosMais da metade da população haitiana vive em insegurança alimentar; crise política, violência e corte de verbas agravam situação humanitária no país

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou que os estoques de alimentos disponíveis para atendimento no Haiti devem durar apenas até o final de julho. A escassez preocupa autoridades e organizações internacionais diante da piora da crise humanitária no país caribenho.
A diretora regional do PMA para a América Latina e o Caribe, Lola Castro, afirmou em nota à imprensa que metade da população haitiana, cerca de 5,7 milhões de pessoas, vive em situação de insegurança alimentar. A redução de verbas internacionais impediu o reabastecimento dos armazéns da agência, o que compromete os atendimentos emergenciais. Os estoques da agência chegam somente até o fim de julho.
“Mas este ano, temos uma situação que não temos estoques alimentares por causa da redução de fundos. Isto é uma grande preocupação para nós, para o governo, para a sociedade civil. Se houver um furacão ou qualquer outro choque climático, choque natural, o PMA ou outras agências das Nações Unidas não terão possibilidade de resposta imediata. Isso é muito preocupante porque já vemos os números de pessoas em insegurança alimentar, e se não temos uma resposta imediata, esses números vão crescer ainda mais”.
Segundo o levantamento mais recente da ONU, o Haiti está entre os cinco países com os piores índices de fome no mundo, ao lado dos Territórios Palestinos, Sudão, Sudão do Sul e Mali. A chegada da temporada de furacões aumenta ainda mais a vulnerabilidade da população.
O Haiti está atravessando uma crise político-econômica e de insegurança há vários anos. Na capital, Porto Príncipe, cerca de 85% do território está sob controle de facções armadas. O número de deslocados internos já ultrapassa 1,3 milhão de pessoas, a maioria hospedada em casas de famílias anfitriãs, o que sobrecarrega comunidades, especialmente as rurais.
A situação foi discutida no Conselho de Segurança da ONU. Para Lola Castro, uma solução política é urgente.
“Temos que resolver juntos. E a resolução política que está a avançar, se espera que até o fim do ano, vamos ter um referendo para a Constituição e já no próximo as eleições presidenciais. Mas com essa situação política tão complicada de violência em volta da casa, temos preocupações que o programa eleitoral se retarde. Mas as outras agências estão a trabalhar com o governo para conseguir se essas atividades ocorram a tempo. Fim do ano, referendo, e no próximo: eleições”.
O PMA ressalta que menos de 10% do apelo de emergência lançado este ano foi atendido pelos doadores. A meta da agência era alcançar 2,5 milhões de pessoas, mas a falta de recursos forçou a redução das rações distribuídas, o que, segundo Lola, tem provocado ainda mais desespero e tensão entre os haitianos.
Fonte: ONU News
