Daniella Sarahyba completa maioridade como voluntária em defesa das crianças
Voluntariado
Por Andrea Wolffenbutte
A modelo brasileira, Daniella Sarahyba, que conquistou fama internacional, usa a beleza, o carisma e a popularidade em benefício das crianças com câncer, tratadas no INCAvoluntário. Diz que é assim que deseja ser lembrada e conta os momentos difíceis de quem se entrega de coração à convivência com os pequenos pacientes.
A seguir, confira a entrevista completa com Daniella Sarahyba:
Quando e como foi que você começou a se interessar por questões sociais?
Quando eu tinha 16 anos, já sentia necessidade fazer alguma coisa além de estudar e trabalhar. Então, comecei a me envolver com o asilo Casa dos Artistas. Eu gostava de ir lá, ver os idosos, conversar com eles. Aos 19 anos, passei a visitar as crianças da Associação Viva Cazuza, que era da Lucinha Araújo, mãe do Cazuza. Passei todos os natais com elas, durante 15 anos. Aquilo me comovia muito, porque eram crianças que não tinham suas famílias em uma data tão importante. Todos meus almoços de Natal eram lá, e eu levava minhas filhas comigo, para passarem juntos e alegrar a criançada. Levava Papai Noel, com brinquedos. Além disso, sempre perguntava para a Lucinha se eu podia ajudar em algo mais. Aí aparecia de tudo para resolver. Era televisão que tinha quebrado, videogame que não funcionava, ou a piscina de inflar que estava furada…

E quando foi que você se envolveu com o INCAvoluntário (Instituto Nacional do Câncer)?
Foi em 2007, quando uma amiga me chamou para ir à festa das crianças do INCA. Foi uma conexão instantânea! Aquilo tomou conta do meu coração de uma forma que é inexplicável! Fiquei bastante abalada e, mas ao mesmo tempo, muito emocionada. Eu lembro que, ao voltar para casa, eu chorava muito, mas ia me fortalecendo e acreditando que, de alguma forma, aquela seria a minha missão. Eu não tinha chegado ali à toa. Conclusão: já se passaram 18 anos. Estou completando a maioridade no INCA. E não é só indo presencialmente para estar ali, brincando com as crianças, dando carinho aos parentes que sofrem… Eu comecei a me envolver em todos os tipos de campanha de arrecadação, desde lata de leite em pó até benfeitorias para brinquedoteca, para ambulatório, para obras. Eu realmente sou madrinha de vestir a camisa! Espero poder prosperar e fazer cada vez mais porque isso é algo que realmente me realiza.
Como é essa realização?
É uma coisa inexplicável. Ver o carinho daquelas crianças comigo e eu com elas. E a grande verdade, que sempre falo, é que não estou fazendo bem para as crianças. Eu faço bem para mim, estando ali. Aquilo é uma lição de vida. Acho que todas as pessoas do mundo deveriam passar um dia em um hospital com crianças internadas. Tem muita gente que reclama de tudo, não valoriza a vida. E ali está a lição maior de lutar pela vida, sabe? São pessoas que estão realmente lutando pela vida e que te ensinam muito. Seja com a positividade e com o otimismo daquelas crianças e dos pais, seja com aquela fé inabalável.
Minha filha, Gabriela, diz que uma das coisas que mais ama fazer é ir comigo ao Inca. E a Rafaela, que é menorzinha, vai pela primeira vez agora.

Você acha que no universo da moda e da beleza existe espaço para avançar, para que as pessoas se envolvam mais com iniciativas de solidariedade?
Eu acho que existe. E sinto que passou a existir mais depois da pandemia, quando as empresas e as pessoas físicas, tanto na moda quanto em outros setores, começaram a olhar mais para o cuidado com o próximo. É fundamental que cada marca se envolva, de alguma forma, em um projeto social. Eu procuro leva as com as quais trabalho, que são meus clientes, para dentro do INCA Voluntário. Porque a verdade é que tem muita empresa, tem muita gente que quer ajudar, mas não sabe como. E eu acabo sendo quem faz essa conexão.

Você tem algumas ideias para sugerir a empresas que querem desenvolver iniciativas sociais?
Tem algumas possibilidades. Estoques de roupa de coleções passadas, que não vendem, podem ser doados para organizações sociais. O INCA Voluntário, tem um bazar que funciona o ano todo. O valor da venda das bolsas, sapatos e roupas é transformado em cestas básicas. Também é possível fazer arrecadação de produtos na própria loja. Uma marca faz um evento na loja e cada cliente tem que trazer, por exemplo, uma lata de leite em pó. As latas serão destinadas para entidades que cuidam de crianças, melhor ainda se for para o centro do INCA Voluntário! Enfim, tem várias formas de ajudar.
Agora voltando para você, Daniella, qual foi a coisa que você fez que mais te tocou, no campo de ações solidárias?
O que mais me deixa feliz é ver o quanto aquelas crianças ficam felizes com a minha visita. Muitas me chamam de tia Daniella. E dizem que a tia Daniella vem com luz, com amor, com muito carinho. São momentos de muita alegria, mas tem momentos de dor também. Eu já fui chamada duas vezes para me despedir de crianças. Os pais falavam “vamos chamar a Daniella para ela dar o último beijo”. O exemplo mais recente foi do Eliseu, que eu conheci com um aninho, no INCA Voluntário, e ele faleceu em agosto do ano passado, com 18 anos. Eu estava presente, ali, nos últimos dias de vida dele, inclusive fui ao velório.
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Você acompanhou toda a vida dele e deve ter feito a diferença.
Tentei ajudar da forma que eu pude ao longo desses dias 17 anos de convivência. E o que eu tenho de lembrança disso? Tenho áudios lindos demais no meu Whatsapp, com a vozinha dele, me agradecendo… dizendo que me amava muito.
É assim que quero ser lembrada. Por ter sido alguém que fez a diferença na vida de outras pessoas. Seja com um beijo, um abraço com alguma ajuda financeira mesmo, ou com algum apoio para avó, para mãe, para o pai. E o que me impressiona muito, é que cada vez que eu vou lá no INCA, tem novas crianças que nunca vi antes. Infelizmente, cresce muito o número de pacientes. Mas vamos lá, estamos na luta e vamos fazer o melhor para essas crianças.

*Fotos: acervo pessoal de Daniella Sarahyba
