Democratizar a educação em tecnologia é ampliar futuros
Educação

Por Diogo Bezerra
Por muitos anos, a escolha de profissão esteve diretamente relacionada ao contexto em que cada pessoa crescia. A renda familiar, o lugar onde uma pessoa nascia e sua rede de contatos limitavam os caminhos que ela poderia seguir. No entanto, com a chegada da tecnologia, essa história começou a mudar.
O acesso, que muitas vezes esteve tão distante, passou a ser mais palpável para muitas pessoas. E aprender a programar se tornou um caminho viável que oferece possibilidades concretas de desenvolvimento profissional, crescimento contínuo e mobilidade social e econômica. Mais do que ensinar a escrever código, a educação em tecnologia apresenta uma nova forma de enxergar o próprio futuro.
Claro, dominar o conhecimento técnico é parte essencial do processo. Afinal, entender e saber lidar com as ferramentas, linguagens de programação e novas tecnologias, como a Inteligência Artificial e outras que surgem, é o que permite a entrada em um mercado que está continuamente em expansão. Mas limitar essa formação apenas ao aspecto técnico é ignorar uma transformação ainda maior.
Aqueles que aprendem a desenvolver soluções também aprendem a lidar com problemas complexos, testar diferentes caminhos, trabalhar de forma colaborativa e buscar conhecimento de maneira constante. Aos poucos, desafios que antes pareciam distantes passam a ser encarados como etapas naturais do aprendizado.
Essa mudança de mentalidade é especialmente importante em um setor que se reinventa o tempo todo. A capacidade de aprender continuamente passou a ser tão valiosa quanto qualquer conhecimento específico, e a autoconfiança deixou de ser apenas uma característica individual e se tornou uma competência profissional.
Quando alguém conquista espaço em uma área que antes parecia inacessível, novas referências surgem para aqueles que estão ao redor. A família passa a conhecer possibilidades que antes pareciam distantes, amigos enxergam novos caminhos e outras pessoas daquele círculo percebem que aquele futuro também pode fazer parte da sua realidade.
Esse efeito ajuda a romper um ciclo que, durante muito tempo, limitou o acesso de milhares de brasileiros às profissões ligadas à inovação. Afinal, quando faltam referências, é comum acreditar que determinados espaços não foram feitos para nós. Mas, quando essas referências aparecem, as perspectivas também mudam.
É justamente por isso que investir em educação em tecnologia significa investir em desenvolvimento humano. O verdadeiro impacto não está apenas na formação de profissionais qualificados, mas na construção de pessoas preparadas para lidar com mudanças, aprender continuamente e ocupar espaços que antes pareciam inalcançáveis.
Na Mais1Code, acreditamos que formar talentos para o mercado de tecnologia também significa ampliar horizontes. Desde 2020, mais de 5.200 alunos concluíram sua jornada em nossos programas de formação, e atualmente outros 121 estudantes participam de iniciativas nacionais e internacionais. Cada história reforça que o acesso à educação em tecnologia vai além da qualificação profissional, ampliando perspectivas e criando novas referências para famílias e comunidades inteiras. Afinal, a maior transformação da educação em tecnologia não acontece quando alguém aprende a programar, mas quando esse conhecimento muda a forma de enxergar o próprio futuro.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.
