Desigualdade e isolamento são fatores para suicídio no Brasil, diz psiquiatra

Direitos Humanos
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Segundo o último levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizado em 2019, o Brasil possui 38 casos de suicídio por dia, em média.

Imagem: Freepik

Por Lucas Neves

Uma recente pesquisa online da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) revelou dados alarmantes sobre o suicídio no Brasil. Uma em cada quatro pessoas entrevistadas afirmaram terem pensamentos suicidas nos seis meses anteriores ao levantamento. 

Para falar sobre este tema complexo relacionado à saúde mental da população, o Olhar da Cidadania recebeu, durante o mês de setembro, o médico psiquiatra Rodolfo Furlan Damiano. Veiculado na Rádio USP, o episódio abordou uma série de aspectos que envolvem o suicídio e avaliou o contexto do país.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma pesquisa evidenciando que no Brasil, a média de suicídio é de 38 casos por dia. Questionado sobre o aumento dos casos nos anos recentes, Damiano lembrou que, no mundo, o número de pessoas tirando a própria vida está em queda, sendo o Brasil um país que está “na contramão” dessa tendência.

O médico psiquiatra apresentou possíveis fatores para esse marco negativo na saúde mental do país. Entre os principais motivos, ele citou a desigualdade social, uma vez que também é possível identificar o aumento de casos em demais países com grande desequilíbrio socioeconômico.

Outro ponto ressaltado por Damiano é a falta de investimento adequado em políticas públicas. “O Brasil investe, do orçamento do Ministério da Saúde, por volta de 2,5 ou 2,77% em saúde mental. Isso é abaixo do sugerido pelos órgãos internacionais, que é 5%”, comentou.

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Impacto das redes sociais na saúde mental

Ainda destrinchando os fatores potencializadores dos casos de suicídio, o médico citou o uso excessivo de tecnologia. Nesse sentido, ele alertou para o risco de gastar muito tempo nas redes sociais, lembrando que é comum os jovens passarem 9 horas ou mais nessas mídias.

Segundo Damiano, a quantidade diária de uso das redes sociais é um fator sério de risco para a saúde mental. “Essa pessoa está deixando de ter interações presencialmente. A diminuição tem impacto significativo em várias esferas do neurodesenvolvimento do indivíduo”.

Como consequência do isolamento causado pelas redes sociais, o médico elencou problemas na capacidade do indivíduo de lidar com frustrações, sobretudo as geradas por relações humanas, e a diminuição da habilidade de ler os comportamentos e atitudes alheias.

Sobre Rodolfo Furlan Damiano

Rodolfo Furlan Damiano é Médico Psiquiatra e Doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Ele também é chefe do Ambulatório de Depressão Resistente ao Tratamento, Autolesão e Suicidalidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – IPQ/HCFMUSP, Professor do programa de pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e autor do livro “Compreendendo o Suicídio”, dentre outros.

Fora Damiano, essa edição do Olhar da Cidadania contou com falas do colunista Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP e, Paulo Artaxo, professor titular e chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP.

Olhar da Cidadania

O Olhar da Cidadania é apresentado pelo jornalista Joel Scala e transmitido às quintas-feiras, às 13h30, pela Rádio USP, mas você pode escutar o programa completo aqui no portal do Observatório do Terceiro Setor. Para ouvir na rádio, basta sintonizar 93,7 FM, em São Paulo, ou 107,9 FM, em Ribeirão Preto.