Estudo revela impacto da desigualdade na vida de adolescentes em comunidades vulneráveis
Políticas PúblicasInjustiça social e redução das desigualdades foram temas do programa Brasil ODS, no mês de agosto; durante o programa, pesquisadores apontam que jovens expostos à violência e infraestrutura precária percebem maior injustiça social em suas vidas

Por Sabrina Azevedo
Adolescentes que vivem em bairros com altos índices de violência e falta de infraestrutura enxergam o mundo como mais injusto para si mesmos do que para os outros, segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). O programa Brasil ODS trouxe para discutir essa questão André Vilela Komatsu, doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo e Francisco Menezes, economista.
A pesquisa reforça como a desigualdade social no Brasil afeta diretamente a saúde mental, a educação e o futuro da juventude, sobretudo em comunidades marginalizadas.
A injustiça social no Brasil é marcada pela exclusão no acesso a direitos fundamentais como educação, saúde, moradia e emprego. Para adolescentes de comunidades vulneráveis, essa realidade se traduz em dificuldades para estudar, obter atendimento médico e ter acesso a lazer ou oportunidades de desenvolvimento.
A ausência de políticas públicas eficazes amplia o problema, empurrando muitos jovens para trajetórias de violência, trabalho precoce e falta de perspectivas. Essa condição compromete não apenas o futuro individual, mas também o desenvolvimento social e econômico do país.
Vozes da sociedade civil e especialistas
A conversa contou com a presença de André Vilela Komatsu, doutor em Psicologia pela USP e pesquisador associado ao Laboratório de Análise e Prevenção da Violência (LAPREV-UFSCAR), e Francisco Menezes, economista e assessor de políticas da ActionAid no Brasil.
Francisco Menezes destacou o papel das desigualdades raciais na percepção de injustiça.
“Constatamos que existe uma situação em que se nega, sobretudo a pessoas negras, a igualdade de condições, que é a base da justiça. Isso aparece em diferentes situações, inclusive no tempo gasto em transporte público por populações mais vulneráveis, majoritariamente negras, que acabam sacrificando parte significativa de suas vidas em deslocamentos diários”.
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Já André Vilela Komatsu chamou a atenção para a insegurança e a exclusão vivida por jovens no trajeto até a escola e no cotidiano de seus bairros.
“Muitos adolescentes não se sentem seguros nem mesmo para ir à escola. A falta de espaços de lazer, cultura e esporte faz com que eles se sintam excluídos, como se vivessem em outra cidade, com regras mais duras e menos oportunidades. Isso mina seus sonhos e a perspectiva de futuro, alimentando a sensação de que seus desejos não são realizáveis”.
Caminhos para reduzir as desigualdades
O enfrentamento desse cenário, segundo os especialistas, passa pela implementação de políticas públicas que promovam maior equidade, melhorem a infraestrutura urbana e assegurem direitos básicos a crianças e adolescentes. A redução das desigualdades é vista como um passo essencial para a construção de uma sociedade mais justa e equilibrada.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Além dos convidados, o Brasil ODS recebeu os colunistas Paulo Almeida, Gabriela Chabbouh e Nina Orlow, especialistas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Este programa colabora com o ODS 10 (Redução das Desigualdades), cujo objetivo é reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles, e com o ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), onde visa promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Brasil ODS
O Brasil ODS é uma produção do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, que conta com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ele vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 16h na Rádio Brasil de Fato.
