Educação para a cidadania como caminho de futuro: o que temos feito com e para as juventudes

Direitos Humanos
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Imagem: Adobe Stock

 

Por Anne Wilians

 

Instituído pela Lei nº 12.852, de 5 de agosto de 2013, o Estatuto da Juventude completa, em 2025, doze anos de existência. Ele é um marco importante na afirmação de direitos para jovens entre 15 e 29 anos, com diretrizes para políticas públicas voltadas à educação, ao trabalho, à cultura, à saúde, à participação política e ao acesso à justiça. Mas apesar de sua relevância legal e simbólica, ainda estamos longe de garantir, na prática, que esses direitos cheguem a todas as juventudes do Brasil.

 

Os dados confirmam essa distância. Segundo o Censo mais recente do IBGE, 10,9 milhões de jovens entre 15 e 29 anos não estudam nem trabalham. É quase um em cada cinco brasileiros dessa faixa etária. A maioria é composta por mulheres negras e pardas, e mais de 60% vivem em situação de pobreza. A evasão escolar e o atraso educacional seguem como grandes desafios: em 2021, a taxa de alfabetização das crianças no segundo ano do Ensino Fundamental caiu para 43,6%. E mais de 40% das pessoas adultas no país ainda não concluíram a educação básica obrigatória.

 

Esses números mostram que não estamos falando de exceções, mas de uma realidade estrutural. Uma realidade que atravessa a vida de milhões de jovens, muitas vezes sem acesso a oportunidades, sem escuta e sem direcionamento. E é justamente por isso que falar de juventudes exige responsabilidade. Exige sair do lugar comum e apontar caminhos concretos para garantir direitos, ampliar horizontes e fortalecer a cidadania.

 

No mês em que celebramos o Dia Internacional da Juventude, em 12 de agosto, optamos por não apenas comentar a data, mas reafirmar publicamente o que temos feito com e para as juventudes no Instituto Nelson Wilians (INW). Atuamos a partir de três eixos estruturantes: Acesso à Justiça, Educação para a Cidadania e Inclusão Produtiva. Desde 2017, já alcançamos mais de 75 mil pessoas em todo o país, com ações que promovem o exercício pleno da cidadania e o fortalecimento do Estado de Direito.

 

Projetos de impacto social que criam caminhos

No projeto Compartilhando Direito, tecnologia social de educação para os direitos humanos, promovemos formações presenciais para que mais jovens conheçam os seus direitos. Desenvolvemos um índice de percepção de cidadania que mede, antes, durante e depois do processo formativo, como os jovens se sentem em relação ao seu papel na sociedade, ao conhecimento de seus direitos e à sua possibilidade de participação social.

 

No projeto Líderes que Inspiram, jovens de diferentes territórios conhecem trajetórias reais de profissionais voluntários que compartilham os caminhos percorridos até chegarem aos seus espaços de trabalho. Esse encontro entre histórias inspira confiança, amplia horizontes e mostra que é possível construir trajetórias com propósito.

 

O Potencialize é uma capacitação profissionalizante para o mundo do trabalho. Oferece conteúdos sobre negociação, vendas, recuperação de crédito, ajudando jovens a se prepararem para seus primeiros passos profissionais com mais clareza, segurança e confiança no futuro.

 

No Mutirão Jurídico, oferecemos orientação jurídica gratuita em comunidades, escutando dúvidas simples que muitas vezes envolvem decisões complexas para famílias inteiras. Uma informação correta, no momento certo, pode transformar escolhas e garantir mais estabilidade social.

 

O projeto Pro Bono NW fortalece organizações sociais que atuam nas pontas, oferecendo apoio jurídico especializado para instituições que não têm recursos para contratar serviços jurídicos. E, por meio do edital INW, apoiamos diretamente iniciativas voltadas às juventudes, reconhecendo o papel essencial dessas organizações nos territórios.

 

Nada disso se faz sozinho e nós fazemos em rede

Todas essas ações só são possíveis porque atuamos em rede. Com escolas, com organizações da sociedade civil, com voluntários e voluntárias, com empresas parceiras, com o poder público e, principalmente, com as próprias juventudes. A educação para a cidadania que praticamos é coletiva, feita de encontros, alianças e trocas reais.

 

Acreditamos que o impacto social se constrói com diálogo e cooperação. Escutamos os territórios, aprendemos com quem vive os desafios diariamente e trabalhamos para fortalecer o ecossistema que promove inclusão, justiça social e cidadania ativa.

 

Juventudes presentes. Precisamos agir agora

Celebrar o Dia Internacional da Juventude é, para o Instituto Nelson Wilians, reafirmar um compromisso que é diário: reconhecer as juventudes como sujeitos de direitos, fortalecer sua autonomia e garantir oportunidades reais para que possam viver com dignidade, liberdade e participação.

 

O que temos feito com e para as juventudes não é teoria, é prática cotidiana. São experiências concretas que mostram que, mesmo em um país desigual, é possível transformar realidades com escuta, estratégia e compromisso.

 

A juventude não é o futuro. É o agora. E cabe a cada um de nós garantir que esse agora seja feito de pertencimento, de justiça e de cidadania plena.

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Anne Wilians

Anne Wilians é advogada, administradora e mestranda em Direito Difuso e Coletivo pela PUC-SP. Especialista em Gestão da Inovação Social, fundou o Instituto Nelson Wilians (INW), que preside atualmente. Lidera iniciativas voltadas à promoção da justiça social, à educação cidadã e à cultura da legalidade.