Entre desafios e reconstruções: reflexões sobre a filantropia ativa
Cultura Organizacional
Por Luiza Serpa
Encerrar o ano costuma nos empurrar para balanços e projeções. É difícil escapar dos clichês, mas dezembro insiste em se apresentar como um tempo de avaliação e de imaginação de futuros possíveis. Tudo acontece em ritmo acelerado, como se a virada do dia 23 fosse um limite simbólico para concluir, registrar e julgar. O que deu certo e o que deu errado fica marcado. Aceitamos essa lógica e, em certa medida, a construímos coletivamente.
Ao olhar para 2025, minha percepção é a de um ano pouco inspirador para o campo em que atuamos. Poucas novidades, poucas inovações reais. Eventos previsíveis, conflitos esperados. O mundo paralisado diante de absurdos e retrocessos, enquanto o Brasil desperdiça oportunidades de protagonismo. Esse cenário impacta diretamente a filantropia e o investimento social privado.
Seguimos tentando fortalecer conceitos e práticas, mas, por vezes, a sensação é de que pequenos golpes nos fazem recuar algumas casas. Ainda assim, retomamos. Construímos, reconstruímos, esse movimento parece estrutural ao nosso campo.
No Phi, o ano foi especialmente desafiador do ponto de vista da captação institucional. A dificuldade exigiu novas abordagens, novas estratégias e uma atuação mais ousada. O esforço coletivo deu resultado. A equipe se uniu diante da urgência, os objetivos foram alcançados e, com isso, a confiança no futuro se renovou.
Também foi um ano de revisitar modelos, reafirmar algumas crenças e abandonar outras. Pedi mais ajuda do que em outros momentos e aprendi a recebê-la. Houve decepções, como sempre há, e elas cumprem um papel importante: ajudam a trazer clareza sobre quem segue caminhando junto.
Olhando para 2026, o cenário se desenha truncado. Dúvidas persistem, eleições se aproximam, tensões se acumulam. Ainda assim, permanece a convicção de que vale a pena trabalhar para e com quem acredita em futuros mais justos e possíveis para todos. Que venham novas parcerias, novos desafios e novos sonhos coletivos.
Neste ano, retomei os estudos, movimento que recomendo. O contato com novos autores, pessoas e perspectivas amplia o olhar. Em uma das aulas, reencontrei o conceito aristotélico de justa medida, entendido como o equilíbrio entre dois extremos viciosos: o excesso e a falta. Um caminho ético que se opõe tanto à mediocridade quanto aos radicalismos estéreis.
Fico com esse desejo para o tempo que se inicia: encontrar a justa medida nas escolhas, estar presente nas decisões e cultivar ousadia suficiente para não desistir, nem esmorecer.
Que o novo ano chegue com mais presença, mais cuidado e mais compromisso com a transformação social.
Que venha com amor, sim um amor radical.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.
