Exploração Sexual de menores é agravada pela vulnerabilidade social, diz Luciana Temer
Direitos HumanosEm entrevista ao programa Olhar da Cidadania, Luciana Temer destacou que, além da vulnerabilidade social, a naturalização da violência sexual contra menores é outro problema que leva ao aumento dos casos

*Por Lucas Neves
Atualmente, o Brasil ocupa a 5ª posição no ranking mundial de denúncias de abuso sexual infantil online, segundo relatório do InHope. “É muito grave o que acontece nessas violências online. Elas marcam as pessoas para a vida inteira”, destacou Luciana Temer, diretora-presidente do Instituto Liberta, organização dedicada ao enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil.
Luciana foi a convidada do programa Olhar da Cidadania, veiculado na primeira quinta-feira de março (05/03). Em conversa com o apresentador e jornalista, Joel Scala, a diretora-presidente do Instituto Liberta analisou os desafios do combate à violência sexual, abordando: a responsabilidade do Estado, a urgência de ações coordenadas para proteger a infância e o papel das famílias na prevenção.
Além de crimes sexuais online, Luciana destacou outros 2 tipos de violência sexual contra menores que são comuns no Brasil. O primeiro deles é o estupro de vunerável, quando há um ato sexual com quem não pode consentir. No Brasil, a prática de conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso com menores de 14 anos se enquadra nesse crime.
O Anuário de Segurança Pública de 2025 mostra que o Brasil registra cerca 6 estupros de vulnerável por hora. “Este é um dado assustador, sobretudo, quando pensamos na subnotificação”, alertou Luciana. Conforme a diretora do Instituto Liberta, existem estudos que mostram que somente 10% dos casos são registrados.
Outro tipo de violência recorrente do Brasil é a exploração sexual de menores. O crime é caracterizado pelo uso de crianças e adolescentes para fins sexuais, visando o lucro ou qualquer outra vantagem por parte do explorador. Geralmente, essa violência está associda ao contexto da prostituição, compartilhamento de conteúdo e imagens de abuso, redes de tráfico e ao turismo com motivação sexual.
“Temos um problema sério de exploração sexual no Brasil, e está muito ligado à questão da vulnerabilidade social” — Luciana Temer
Violência sexual naturalizada
Para ela, outro problema social que também agrava a incidência dos casos — não só de exploração, mas de todas modalidades de violência sexual — é a naturalização dessas formas de abuso.
Nesse sentido, Luciana ressaltou o papel e importância da sociedade civil em conscientizar a população. “Se a gente não grita enquanto sociedade, essa menina vai ser mantida na situação de violência que está e, provavelmente, a filha ou filho também ficará nessa situação.”
“As violências são intergeracionais. Se a gente não rompe com as violências, elas vão se perpetuando e passando para as próximas gerações” — Luciana Temer
Confira a entrevista completa com a Luciana Temer!
Sobre Luciana Temer
Advogada, professora doutora em Direito Constitucional e militante em direitos humanos, Luciana Temer é diretora-presidente do Instituto Liberta, organização dedicada ao enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil.
Sobre o Olhar da Cidadania
O Olhar da Cidadania é um programa do Observatório do Terceiro Setor, apresentado pelo jornalista Joel Scala, contando com as colunas de Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP e Paulo Artaxo professor titular e chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP.
O programa vai ao ar todas às quintas-feiras às 13:30h, na Rádio USP (São Paulo: 93.7 FM / Ribeirão Preto: 107.9 FM). Também é possível conferir os episódios posteriormente no portal do Observatório.
