Fórum do Infinis debate desafios da segurança alimentar infantil no país

Direitos Humanos
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Realizado na Pinacoteca de São Paulo, o evento reuniu especialistas, autoridades e representantes de organizações sociais para discutir a segurança alimentar infantil brasileira

Painel “Contexto brasileiro e desafios atuais” (Foto: Fábio Lolli)

Por Lucas Neves

Na última terça-feira (30/09), a cidade de São Paulo recebeu o 7.º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância, reunindo autoridades, especialistas, acadêmicos e figuras do terceiro setor em debates sobre a segurança alimentar infantil.

Pela primeira vez, a realização do fórum foi responsabilidade do Infinis – Instituto Futuro é Infância Saudável, organização que integra o sistema da Fundação José Luiz Setúbal, ao lado do Sabará Hospital Infantil e do Instituto Pensi. Fundado este ano, o Infinis se propõe a intensificar e qualificar a atuação em defesa da saúde pública para crianças e adolescentes.

É a segunda vez que o evento aborda a segurança alimentar infantil, já que recebeu essa mesma temática em 2022. Sediado pela Pinacoteca de São Paulo, o fórum deste ano focou na alimentação nas escolas, nas comunidades tradicionais na Amazônia e no cenário de segurança alimentar no contexto pós-pandemia. Também foram abordados os desafios da obesidade e da desnutrição no país.

Durante o evento, Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis, conversou com a imprensa e destacou a importância de cuidar do desenvolvimento da criança. Ela ressaltou a necessidade de priorizar o “desenvolvimento psicossocial, físico, emocional e todos os aspectos que fazem uma pessoa adulta plena”.

Para atingir esse objetivo, Márcia apresentou as prioridades de atuação do instituto, citando a segurança alimentar, saúde mental, prevenção às violências e até mesmo a qualidade do ar. “ O Infinis já vinha atuando incubado na Fundação desde 2020 nessas prioridades temáticas”.

Por fim, a diretora-executiva do Infinis afirmou a necessidade de prezar por todas as infâncias do Brasil, entendendo as diferentes realidades do país e buscando atuar ainda mais no norte e nordeste. 

“O Infinis nasce desse interesse da Fundação de olhar para a saúde de todas as infâncias do Brasil, não só das crianças que passavam pelo Hospital do Sabará, mas também em outros territórios, em outras geografias”, conclui.

Márcia Kalvon — Diretora-executiva do Infinis (Foto: Fábio Lolli)

Cenário preocupante mesmo com saída do Mapa da Fome

Em fala de abertura, o filantropo Dr. José Luiz Setúbal alertou para a necessidade de combater a má nutrição, mesmo que o Brasil tenha deixado o mapa da fome da ONU. Ele lembrou que ainda existem cerca 600 mil crianças de até 5 anos passando sofrendo com a insegurança alimentar, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE.

Para enfrentar esse e outros problemas da má nutrição infantil, como a obesidade, o filantropo salientou a importância de um trabalho multissetorial. “O enfrentamento da insegurança alimentar infantil requer ações integradas e intersetoriais, envolvendo o governo, sociedade civil e família”.

Crescimento nos números de obesidade

O primeiro painel apresentou o contexto atual da insegurança alimentar na infância. Participaram como palestrantes, Kelly Poliany Alves, da Coordenação de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Lilian dos Santos Rahal, da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social, e Walter Belik, da FAO e Instituto Fome Zero. A conversa foi moderada pela Márcia Kalvon.

Durante essa discussão, foi apresentado o relatório “Alimentando Lucro: Como os Ambientes Alimentares estão Falhando com as Crianças”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Os dados apontaram que, pela primeira vez, a obesidade supera a desnutrição como forma predominante de má alimentação entre crianças e adolescentes em idade escolar no mundo. 

Papel das escolas na nutrição dos jovens

A alimentação nas escolas foi outra pauta com grande foco no fórum. O tema rendeu um painel específico, com participação de Larissa Loures, do Departamento de Nutrição da UFMG, Pedro Vasconcelos, da FIAN/Observatório da Alimentação Escolar, e Jordana de Oliveira Costa, do PNAE/FNDE. A moderação será feita por Renata Couto, do Instituto Desiderata.

A discussão abordou o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), política pública que garante refeições e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes de todas as etapas da educação básica pública. Além disso, os palestrantes alertaram sobre a disponibilização de alimentos ultraprocessados nas instituições públicas e privadas.

Má nutrição de crianças na Amazônia

Outro destaque do evento foi o painel sobre a segurança alimentar infantil na região da Amazônia, sobretudo para comunidades tradicionais. Historicamente, a região enfrenta desafios específicos, causados por questões ambientais, sociais e logísticas.

A conversa também abordou especificamente a situação nutricional das crianças Yanomami, após crise humanitária sofrida. Em 2021, mais de 50% das crianças Yanomami estavam em situação de desnutrição aguda, segundo dados da Sesai fornecidos à Agência Pública.

Esse painel teve a participação de Anderson Serra, Secretaria de Agricultura Familiar do Pará, Neideana Ribeiro, do UNICEF Manaus, Dora Lima, antropóloga Yanomami, e Adelina Fidelis, do MAPANA — Associação de Mulheres Indígenas. A moderação ficou com Alexandre Ramos, do Instituto Comida do Amanhã.

Sobre o Infinis

O Infinis- Instituto Futuro é Infância Saudável foi criado em 2025 com o propósito de intensificar e qualificar a atuação em defesa da saúde pública para crianças e adolescentes, além de contribuir para o fortalecimento do terceiro setor e o desenvolvimento da filantropia no Brasil. A organização integra o sistema da Fundação José Luiz Setúbal, ao lado do Sabará Hospital Infantil e do Instituto Pensi.