Pesquisadora lança guia para orientar parcerias internacionais com povos da Amazônia
EducaçãoPublicação gratuita propõe novas práticas de cooperação entre instituições estrangeiras e comunidades tradicionais

Uma das principais dificuldades em projetos internacionais na Amazônia é o choque entre saberes ancestrais e metodologias científicas impostas por instituições estrangeiras. Pensando nisso, a pesquisadora Mary Lima desenvolveu o “Guia de ações para parcerias internacionais com povos indígenas e comunidades tradicionais”, que será lançado no dia 13 de novembro, em Belém–PA, durante a Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30. A versão online esta disponível gratuitamente desde o dia 5 de novembro.
O guia nasceu de uma pesquisa desenvolvida por Mary no Mestrado Profissional em Bens Culturais e Projetos Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), complementada com entrevistas e estudos de campo no Pará. A autora, com mais de 20 anos de atuação na área socioambiental, acredita que os modelos tradicionais de cooperação internacional estão em crise e precisam ser reformulados.
“Mesmo que alguns países sejam ex-colônias, a influência do processo de colonização ainda está presente em diversos aspectos, setores e modos de vida. A autonomia e a diversidade sociocultural dessas populações lutam com heranças da colonização”, explica em nota, Mary.
A proposta do guia é promover parcerias horizontais e interculturais, nas quais as comunidades amazônicas tenham voz ativa nas decisões e na aplicação dos recursos. “É necessário transformar as práticas culturais e institucionais do setor, ampliar a participação das lideranças de base nos espaços de negociação e de decisão e, assim, respeitar a autonomia e realidade das comunidades”, reforça a pesquisadora.
Um novo olhar sobre financiamento
O material propõe também novos modelos de financiamento internacional, que combinem acessibilidade com transparência, permitindo que comunidades possam acessar recursos sem burocracias excessivas. O guia contou com contribuições de profissionais de diversas áreas, cientistas, advogados, sociólogos e jornalistas, comprometidos com a construção de relações mais equilibradas entre o Norte e o Sul Global.
Entre os colaboradores, Renier Anjos, da Amazon Investor Coalition, destaca a importância de enfrentar a invisibilidade das comunidades amazônicas nos diagnósticos oficiais. “Muitas vezes, esses grupos não aparecem nas estatísticas estaduais ou federais, o que acaba dificultando o acesso a recursos e o reconhecimento internacional”, pontua.
Com o lançamento do guia, Mary Lima espera fomentar um debate urgente sobre autonomia, diversidade e justiça socioambiental, oferecendo um instrumento de referência para organizações, pesquisadores e financiadores que desejam atuar na Amazônia de forma ética e colaborativa.
Para ter acesso ao guia basta acessar o site.
