Indefesas: 30% das vítimas de estupro no Brasil têm de 0 a 9 anos

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De acordo com edição 2020 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 29,9% das vítimas de estupro no Brasil têm de 0 a 9 anos. 11,4% são crianças de 0 a 4 anos

Imagem ilustrativa/ Foto: Adobe Stock

O estupro ainda é tratado como tabu no Brasil, mas, infelizmente, é uma realidade, como mostra a edição de 2020 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo o levantamento, no ano passado houve 66.123 boletins de ocorrência de estupro e estupro de vulnerável nas delegacias de polícia. A maior parte das vítimas é do sexo feminino (85,7%).

Em 29,9% dos casos, a vítima tinha apenas de 0 a 9 anos de idade, sendo que 18,7% das vítimas tinham entre 5 e 9 anos de idade e 11,2% eram bebês de zero a 4 anos. O dado assustador mostra que nem os bebês estão livres da violência sexual no Brasil. Ao todo, 57,9% das vítimas de estupro no Brasil tinham no máximo 13 anos.

Outro dado que chama atenção é que em 84,1% dos casos o criminoso era conhecido da vítima, sendo um familiar ou pessoa de confiança.

Leis mais severas poderiam ajudar no combate ao abuso infantil no país. Horácio Nazareno Lucas ficou preso 5 meses em 2018 por ter estuprado a cunhada. Após sua prisão, a família descobriu que ele também tinha abusado da filha de 13 anos e denunciou o crime à polícia.

Horácio saiu da cadeia depois de 5 meses e foi à casa da ex-esposa para pedir que a queixa de estupro contra a filha fosse retirada e a agrediu. Quando a mulher foi pedir socorro, ele matou a própria filha que o denunciou por estupro. O caso na época chamou a atenção no Brasil todo. Por que Horácio foi solto mesmo sendo acusado de dois estupros?

Hoje a maioria dos casos de abuso sexual contra crianças são relatados pelos médicos que as atendem nos hospitais. Bebês não conseguem falar e só com exames são descobertos os abusos. Mas nem todas as crianças são levadas aos hospitais.

A denúncia é a melhor arma para combater os abusos infantis no país. Caso desconfie de algum abuso, denuncie. Você pode ligar imediatamente para a polícia militar (190) ou fazer a denúncia pelo disque 100. A ligação é gratuita e sua identidade permanece no anonimato.