Influenciar mentes: entre ecos, urgências e o convite às novas vozes
Cultura de Doação

Por Luiza Serpa
No final de agosto, participei da Conferência Impact Minds – Latimpacto, em Medellín. Dessa vez, levei comigo meu filho de 17 anos. Pasmem: percebi que raramente envolvo meus filhos em temas que me movem tanto. Será que, inconscientemente, tento poupá-los do peso das desigualdades e do sofrimento que marcam a realidade? Talvez. Mas é um erro. Não podemos esperar que as próximas gerações apenas recebam a conta; precisamos convidá-las para a sala de conversas agora.
A conferência foi rica em trocas: boas pessoas, boas intenções, boas práticas. Mas confesso que senti falta de algo mais radical, no melhor sentido da palavra. Meu filho, atento, resumiu em uma pergunta certeira: “Mãe, todos falam as mesmas coisas, só que de formas diferentes?” Sim. E talvez façamos mais do que isso: seguimos repetindo discursos, com dificuldade de encarar a dureza do que significa nadar contra as correntes nacionais e globais. Entre nós, anestesiamos o impacto das falas e, muitas vezes, ficamos reverberando dentro do mesmo ecossistema.
Ainda assim, há beleza nos encontros. Uma das experiências deliciosas foi a cerimônia do cacau conduzida por Mamo Bunka, autoridade espiritual do povo Kogui. Um momento de abertura, conexão e leveza. Também presenciamos uma ação potente da Aldeia em Foco, oferecendo exames oftalmológicos na Comuna 2, em parceria com o exército. Uma logística complexa, mas que prova que é possível entregar qualidade a quem sempre teve negado o básico.
Visitamos ainda a famosa Comuna 13. Eu, como carioca cercada de favelas, fui cheia de expectativa de transformação e saí frustrada. Sim, os avanços são visíveis e devem ser celebrados, mas por que seguimos sem criar novos modelos para velhos problemas? Por que a transformação estrutural parece sempre adiada? Volto então à reflexão inicial: precisamos de mais coragem. Precisamos de energia de mudança que não se contente com melhorias incrementais, mas que arrisque rupturas criativas.
Reconheço e parabenizo a Latimpacto pelo esforço incansável em promover diálogos e buscar formatos inovadores. É uma rede que nos conecta, nos dá identidade latino-americana e nos lembra que compartilhamos dores e potências. Mas também é hora de reconhecer que precisamos de caminho de reinvenção.
Voltei feliz pela experiência, sobretudo por tê-la vivido ao lado do meu filho mais velho, que me trouxe novos olhares sobre a forma como estamos envolvendo, ou não, os jovens nesse caminho. E trouxe comigo também a energia da turma brazuca, que nunca decepciona: entusiasmada, alegre por onde passa.
Que venha Manaus, com toda sua força, beleza e desafios.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.
