Instituto Alziras amplia a participação de mulheres na política brasileira
Ampliar e fortalecer a presença de mulheres em toda a sua diversidade, na política e na gestão pública é o motor do Instituto Alziras. Porque, apesar de representarem 53% do eleitorado, a ocupação de brasileiras em cadeiras políticas não passa de 15%

Por Iara de Andrade
Ampliar e fortalecer a presença de mulheres, em toda a sua diversidade, na política e na gestão pública é o motor do Instituto Alziras. Porque, apesar de representarem 53% do eleitorado, a ocupação de brasileiras em cadeiras políticas não passa de 15%.
O Instituto se inspira na história de Luiz Alzira Teixeira Soriano, primeira mulher a vencer uma eleição no Brasil, em 1928. Luiza foi a primeira prefeita eleita na América Latina, em Lajes, Rio Grande do Norte e esteve à frente de um gabinete formado por homens.
Apesar de ter governado por pouco tempo, Alzira permitiu que muitas outras mulheres pudessem se inserir nos pleitos, mas a luta pela reivindicação dos direitos de se elegerem e exercerem plenamente seus mandatos, livres de violência, dura até os dias atuais.
Criada em 2018, ainda sem financiamento, a organização contava com o trabalho voluntário das co-fundadoras e diretoras Cintia Melchiori, Clara de Sá, Michelle Ferreti e Marina Barros. Três anos depois, em 2021, conforme evolução e desenvolvimento de seu trabalho, elas alcançaram a possibilidade de remuneração, através dos projetos que têm com diversos financiadores.
Motivo de Orgulho
Dentre os vários projetos que o Instituto Alziras estão o GPublicas, espaço pluripartidário de formação, intercâmbio e articulações de mulheres na política e gestão pública; o Convergências Democráticas, uma pesquisa comparada feita com outros países da América Latina para entender como eles avançaram rumo a uma qualidade política de gênero; e a Jornada das Pretas, desenvolvido em parceria com a Oxfam para trabalhar as perspectivas de formação e articulação de mulheres na política.
Marina Barros, co-fundadora e co-diretora do Instituto, conta que o Censo das Prefeitas Brasileiras é o motivo de grande orgulho para elas. Em sua segunda edição, a pesquisa entrevistou mais da metade das prefeitas brasileiras para entender quem são, onde estão, suas trajetórias e o que pensam sobre os desafios globais e sobre a gestão pública dos seus municípios:
“É um mapa bastante completo que temos dessas mulheres que estão disputando esses espaços na política local, nos seus municípios. E para nós, é um motivo de grande orgulho, porque sempre trazemos dados e evidências que servem como elemento de reflexão e discussão entre as mulheres e nos partidos políticos”.
Eleições 2022
Durante as eleições de 2022, o Instituto lançou o Candidatas nas Redes, projeto desenvolvido em parceira com o InternetLab, a partir de uma plataforma pela qual as candidatas ouviram especialistas sobre cuidados digitais e estratégias se proteger nas redes sociais, e no ambiente online como um todo, das Fake News, dos discursos de ódio e de ataques online. Os seis módulos do curso, produzidos por mulheres, estão disponíveis no canal do Youtube do Instituto.
“Nós, enquanto sociedade e órgãos eleitorais, precisamos olhar com mais cuidados para isso. De modo que não interrompa, como já interrompeu, no caso da Marielle Franco, a vida das mulheres que querem participar da vida política”, pontua Marina.
