Julho das Pretas da ONG ação Educativa tem roda de conversa, oficina de resistência e apoio à 10ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo
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Como parte da sua programação especial para o Julho das Pretas, a Ação Educativa realiza uma série de atividades que destacam o protagonismo das mulheres negras e reforçam a importância do cuidado, da memória e da resistência. A iniciativa inclui roda de conversa, oficina de estéticas de luta e o apoio à realização da 10ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, marcada para o dia 25 de julho, às 17h, na Praça da República. O ato é aberto ao público e gratuito.
“A Marcha das Mulheres Negras é um ato político de enfrentamento, memória e ancestralidade. Um espaço onde as vozes negras femininas se erguem não apenas para denunciar as violências estruturais, mas para afirmar a potência, a criatividade e a resistência das mulheres negras que constroem essa cidade todos os dias”, destaca Raquel Luanda, supervisora do Espaço Cultural Periferia no Centro da ONG Ação Educativa.
A programação foi pensada para fortalecer esse movimento coletivo. “Estruturamos o Julho das Pretas como uma agenda política e cultural que valoriza as histórias, os saberes e as estratégias de resistência das mulheres negras. Ao promover espaços de escuta, criação e mobilização, reafirmamos nosso compromisso com a luta antirracista e com o direito de existir plenamente”, afirma Raquel.
Dados escancaram desigualdades vividas por jovens negras
O cenário de desigualdade que motiva a Marcha se reflete em números alarmantes. Dados inéditos do projeto MUDE com Elas, com base na PNAD Contínua/IBGE, revelam que, no terceiro trimestre de 2024, a taxa de desemprego entre jovens mulheres negras de 14 a 29 anos chegou a 16% no país — índice 3,6 vezes superior ao dos jovens homens brancos, cuja taxa ficou em 4,4%. Além disso, essas jovens recebem, em média, apenas 62,4% do rendimento mensal obtido pelos homens brancos da mesma faixa etária.
Os números fazem parte do relatório atualizado do projeto, lançado em maio, que apresenta dois estudos fundamentais para o enfrentamento das desigualdades vividas pelas juventudes negras no Brasil: um sobre a inserção de jovens negras no mercado de trabalho entre 2021 e 2024, e outro sobre as suas condições habitacionais em São Paulo nos anos de 2022 e 2023.
Resistência, cuidado e ancestralidade
Como parte da programação do Julho das Pretas e aquecimento para a Marcha, na segunda-feira, 21 de julho de 2025, das 18h às 22h, o Espaço Cultural Periferia no Centro – Ação Educativa recebe a atividade “Resistência, Cuidado e Ancestralidade – Mulheres negras da Diáspora à Marcha”.
A proposta é promover um encontro entre mulheres negras brasileiras e imigrantes para dialogar sobre estratégias de resistência e mobilização nos territórios de origem, práticas culturais e espirituais de enfrentamento e a centralidade do cuidado como ferramenta política e comunitária.
A atividade começa às 19h com a roda de conversa “Cuidado e Resistência: Caminhos até a Marcha”, com participações de Deusa Negra (MUDE com Elas), Constance Salame (Presidente do Conselho Municipal dos Imigrantes), Priscila Obaci (Capulanas Cia de Teatro Negro) e mediação de Isabel Santos (Haiti Aqui).
Na sequência, às 20h30, acontece a Oficina de Cartazes e Estéticas de Luta, conduzida pela artista Mayara Amaral, com criação coletiva de estandartes, faixas e cartazes com frases e símbolos de resistência para a Marcha, será montado o mural “Cartografia do Cuidado”, com reflexões sobre comunidade e cuidado.
Inscrições em: https://aeduc.typeform.com/to/K89dfd78
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