Mudanças Climáticas e o Direito ao Futuro: o Papel da Educação Cidadã na Agenda da COP30

Educação
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Imagem: ChatGPT

 

Por Anne Wilians

 

Falar sobre o futuro, hoje, é falar sobre presença. É reconhecer que as mudanças do clima, que por muitos anos pareciam distantes, já fazem parte da rotina das famílias, das escolas e dos territórios. Ondas de calor mais intensas, chuvas fortes e estações que mudam de forma inesperada deixaram de ser assunto exclusivo de especialistas e passaram a compor a experiência diária de pessoas em todas as regiões do país.

Os dados ajudam a traduzir essa realidade. O Dia da Sobrecarga da Terra, que marca o momento em que a humanidade esgota os recursos naturais que o planeta consegue regenerar em um ano, ocorreu em 1º de agosto de 2024. O dado, produzido pelo Global Footprint Network, sintetiza algo simples e profundo: estamos consumindo mais do que a Terra consegue repor, e isso repercute diretamente no caminho das próximas gerações.

No Módulo 12 do projeto Compartilhando Direitos, tecnologia social de ensino do Instituto Nelson Wilians, lembramos que o direito ao meio ambiente equilibrado está previsto no artigo 225 da Constituição Federal. Ele não é apenas um dispositivo jurídico. É uma convocação que envolve escolas, famílias, empresas, governos e organizações da sociedade civil. Quando crianças e jovens compreendem que esse direito existe, eles passam a se reconhecer como parte da construção do futuro e não como espectadores de um desafio que parece maior do que eles.

Essa compreensão tem efeitos concretos. A pesquisa “Nosso Futuro Comum”, publicada pela ONU em 1987, já afirmava que o desenvolvimento sustentável nasce de decisões que começam nos territórios, se ampliam nas comunidades e dialogam com acordos globais. Décadas depois, essa visão permanece atual. O debate climático ganha força quando entra na vida das pessoas de forma compreensível, acessível e conectada ao cotidiano.

É por isso que a Educação para a Cidadania tem um papel tão valioso. Ao ir além do conteúdo teórico, ela amplia repertório, fortalece autoestima, cria consciência crítica e desperta o pertencimento. Quando um educador inclui temas como pegada ecológica, Amazônia ou consumo responsável na rotina da escola, ele está formando uma geração capaz de compreender desafios complexos e, ao mesmo tempo, agir localmente. A cidadania aprendida se transforma em cidadania percebida e, depois, em cidadania ativa. É um percurso que respeita o tempo de cada estudante e reconhece que transformação social acontece em passos contínuos.

Nesse processo, a cultura da legalidade se torna uma aliada essencial. Ela orienta o entendimento de que direitos são coletivos, que precisam ser protegidos por todos e cumpridos todos os dias. Ao ensinar que leis ambientais existem para garantir condições dignas de vida, criamos uma ponte entre o que está escrito e o que é vivido. Esse vínculo silencioso fortalece confiança, alinha expectativas e favorece escolhas mais cuidadosas, tanto individuais quanto institucionais.

O direito ao futuro, em sua essência, é a soma entre educação, cuidado e ambiente. É garantir que cada jovem tenha acesso não apenas ao conhecimento, mas às condições concretas para exercê-lo. É compreender que os efeitos das mudanças do clima alcançam a todos, embora as possibilidades de enfrentá-los ainda se revelem diferentes entre territórios e grupos sociais.

O Instituto Nelson Wilians acredita que o futuro se constrói de forma conjunta, guiado por escolhas responsáveis e pelo fortalecimento das juventudes que já participam da vida do país. Cuidar do futuro é cuidar delas agora, escutando, orientando, educando e criando condições para que desenvolvam suas potencialidades com segurança e esperança.

Para educadores e gestores que desejam aprofundar esse diálogo sobre sustentabilidade e cidadania, o Módulo 12 do Compartilhando Direitos está disponível gratuitamente para download. É um material acessível e pensado para apoiar quem está todos os dias comprometido com a formação das novas gerações. Nas redes do Instituto Nelson Wilians, também reunimos outros conteúdos sobre clima, meio ambiente e direitos, produzidos especialmente neste período em que o Brasil se prepara para a COP30, em Belém do Pará. Nosso compromisso é ampliar caminhos para quem educa, mobiliza e transforma.

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Anne Wilians

Anne Wilians é advogada, administradora e mestranda em Direito Difuso e Coletivo pela PUC-SP. Especialista em Gestão da Inovação Social, fundou o Instituto Nelson Wilians (INW), que preside atualmente. Lidera iniciativas voltadas à promoção da justiça social, à educação cidadã e à cultura da legalidade.