A brasileira que dedicou até o último dia da sua vida ao voluntariado

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Tide Setúbal criou o Corpo Municipal de Voluntários (CMV) e, até o último dia da sua vida, já acamada, se dedicou ao trabalho.

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Tide Setubal, que dedicou a maior parte da sua vida ao voluntariado | Imagem: Tide Setubal

Mathilde de Azevedo Setubal, Tide Setubal, nasceu em 19 de março de 1925, em São Paulo, e faleceu no dia 2 de outubro de 1977, também na capital.  Tide Setubal criou o Corpo Municipal de Voluntários (CMV) e, até o último dia da sua vida, já acamada, se dedicou ao trabalho voluntário. Mesmo na cama, realizou reuniões e acompanhou com detalhes todo o andamento das atividades do CMV.

Desde jovem Tide Setubal se destacou na realização de atividades públicas, tais como ser oradora da turma e desenvolver trabalhos sociais nas regiões pobres da cidade. No entanto, pode-se dizer que foi nos dois anos em que esteve à frente do CMV que sua atuação social ocorreu de forma mais sistematizada e com maior abrangência. Mesmo sendo mãe de 7 filhos, Tide arranjava tempo para se dedicar a ajudar o próximo.

Quando Olavo Setubal, seu marido, foi nomeado prefeito, em 1975, ela sentiu-se com a responsabilidade de desenvolver um trabalho de maior alcance em favor das populações da periferia de São Paulo e assim criou o CMV. Inicialmente composta por cinco voluntárias, à instituição passou a reunir mais de 400 mulheres.

Com o olhar de hoje, impressiona a visão avançada de Tide Setubal acerca do que seria um trabalho social voluntário. O CMV iniciou suas atividades sob uma ótica inovadora, quando a maioria das entidades sociais brasileiras desenvolvia ações pautadas por uma visão estritamente assistencialista. Tide Setubal procurou desde o começo buscar apoio na comunidade em que estava atuando e no poder público, ao mesmo tempo que capacitou profissionais envolvidos no trabalho.

O foco do trabalho no começo eram os pacientes dos hospitais e prontos socorros e as atividades eram, principalmente, doações de passagens de ônibus, roupas, calçados, cestas básicas e auxílio nos cuidados com os pacientes.

Os esforços e dedicação de Tide foram tão importantes que o trabalho que começou em 1975 se expandiu e é realizado pela prefeitura. A alteração do CMV para o Centro de Apoio Social e Atendimento do Município (CASA), ocorreu em janeiro de 1993. Houve pouca alteração em relação à atuação dos voluntários na cidade de São Paulo com exceção dos cuidados ao paciente que passaram a ser de responsabilidade dos profissionais de saúde das respectivas unidades.

A Secretaria Municipal da Saúde, por meio do Decreto Municipal 40.837 de 04 de abril de 2001, instituiu o Serviço Voluntário no âmbito do Sistema Único de Saúde do Município. O Programa “Voluntários da Saúde” ficou vinculado à Coordenação de Gestão de Pessoas na área de Desenvolvimento Organizacional.

A Prefeitura de São Paulo, no intuito de organizar a questão dos voluntários no âmbito da cidade, publicou o decreto 48.696 de 05 de setembro de 2007, instituindo o serviço voluntário no município de São Paulo.

A Secretaria Municipal de São Paulo utiliza o “Sistema de Voluntários” (SISVOL), que auxilia no cadastro e monitoramento do programa, auxiliando no planejamento das ações do Programa “Voluntários da Saúde”, além de integrar a atividade das diversas unidades.

Em reconhecimento à sua dedicação, no enterro de Tide Setubal, ela foi homenageada pelo então arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo, do cardeal Arns e por centenas de mulheres que, de forma comovida, acompanharam a cerimônia vestindo aventais rosa, marca identificadora das voluntárias do CMV.

Hoje existe a Fundação Tide Setubal, uma organização não governamental e de origem familiar criada em 2006. As periferias urbanas são o foco do trabalho e o bairro de São Miguel Paulista foi o ponto de partida para a atuação. A região na zona leste de São Paulo foi onde Tide Setubal realizou ações sociais na década de 1970, inspirando a criação da entidade.

Fontes: Fundação Tide Setubal e Prefeitura de São Paulo


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