Em SP, bairros mais vacinados têm renda 8x maior do que menos vacinados

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Enquanto renda média nos cinco bairros com mais pessoas vacinadas na cidade de São Paulo chega a R$ 9.230, nos bairros menos vacinados é de apenas R$ 1.167

Foto: Gustavo Vara via Fotos Públicas

Por: Mariana Lima

Dados das Secretarias Estaduais de Saúde e do Open Data SUS, analisados pela revista Piauí, evidenciam a desigualdade na vacinação contra a Covid-19 pelo país.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a vacinação dos distritos mais ricos e mais pobres difere significativamente. Nos cinco locais mais vacinados (Pinheiros, Jardim Paulista, Alto de Pinheiros, Campo Belo e Vila Mariana), até 25 de março, a primeira dose foi aplicada em 17% da população, e a renda média é de R$ 9.230.

Já nos cinco bairros menos vacinados (Anhanguera, Parelheiros, Jardim Ângela, Perus e Cidade Tiradentes) apenas 4% dos habitantes foram vacinados, sendo que essas regiões têm uma renda média R$ 1.167.

A desigualdade se reflete entre outras cidades do estado de São Paulo. Dois municípios com porte parecido, Santos e Carapicuíba, têm níveis distintos de vacinação.

Em Santos, 13% dos 433 mil habitantes já tomaram a primeira dose da vacina. Já em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, apenas 3% dos 403 mil habitantes foram vacinados.

Os PIBs per capita dos municípios são bastante desiguais: aproximadamente R$ 52 mil em Santos e R$ 14,4 mil em Carapicuíba.

No Rio de Janeiro, a desigualdade entre ricos e pobres também é evidente. Enquanto apenas 4% dos moradores da favela do Vidigal foram vacinados com a primeira dose, 13% dos moradores do Baixo Leblon receberam a primeira dose. A renda média do Vidigal é de R$ 1.789, contra R$ 11.311 no Leblon.

O cenário vai se repetindo pelo país. Na Paraíba, até 25 de março, Marcação administrou 73 doses de vacina contra Covid-19 a cada 100 habitantes. Já a cidade vizinha, Cuité de Mamanguape, distribuiu apenas 5 doses a cada 100 habitantes.

Ambas as cidades têm PIB per capita baixo, R$ 9 mil e R$ 10 mil, respectivamente. Contudo, Marcação tem uma população majoritariamente indígena, enquanto Cuité tem apenas um autodeclarado indígena entre seis 6 mil residentes.

Entre estados o quadro continua o mesmo: enquanto Mato Grosso do Sul é o estado que mais aplicou doses de vacina contra a Covid-19 proporcionalmente à sua população, 18 doses a cada 100 habitantes, até 9 de abril, o Mato Grosso, estado vizinho, aplicou metade das doses – 9 a cada 100 pessoas.

Já o Acre vacinou apenas 8% de seus habitantes com a primeira dose, menos da metade das doses do Rio Grande do Sul, onde 14% da população recebeu a primeira dose da vacina contra Covid-19.

Vale pontuar que a proporção de gaúchos idosos é de 19%, enquanto a de acreanos é de 8%, ou seja, a população do Acre é majoritariamente jovem.

Os dados ainda revelam que na região do Parque Bom Jesus, na periferia de Goiânia, 2% dos moradores foram vacinados até 25 de março. Nessa região, 70% das pessoas se autodeclaram negras.

Já no Setor Marista, no centro da cidade, onde menos de 20% da população é preta e parda, foram vacinados 13% dos habitantes com a primeira dose até a mesma data.

Fonte: =Igualdades | Revista Piauí