Heroínas da selva: as mulheres que ‘caçam’ os caçadores ilegais

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A Unidade Anti-caça predatória Black Mambas combate a caça predatória de animais selvagens, principalmente rinocerontes, na África do Sul

As Black Mamba / Créditos: Brand South Africa

A África do Sul há décadas trava uma luta contra a caça ilegal. Patrocinada por grandes empresários, a caça ilegal gera milhões em lucros. Mas está acabando com a vida  selvagem do planeta.

Estima-se que, em apenas 46 anos, os seres humanos destruíram dois terços da vida selvagem no mundo. A África do Sul é o lar de cerca de 80% da população mundial de rinocerontes. O problema é que o animal está quase entrando em extinção devido à caça ilegal para arrancar os seus chifres, que valem mais que ouro no mercado ilegal.

Em 2013, foi criada a Unidade Anti-caça predatória Black Mambas (Black Mambas APU), com o objetivo de combater e prevenir a caça predatória de animais selvagens, principalmente rinocerontes na África do Sul.

O grupo majoritariamente feminino começou com 26 mulheres desempregadas das aldeias que existem à volta da Reserva Balule e do Parque Nacional Greater Kruger. Para muitos delas, é o primeiro emprego depois da escola secundária. Os seus salários são garantidos por um fundo de proteção ambiental e custos como uniformes são cobertos por doações.

As Black Mambas recebem um treinamento intensivo paramilitar no qual aprendem a usar armas, a encontrar e a seguir rastros, técnicas de combate e como agir caso se vejam frente a frente com animais selvagens como leões, elefantes, entre outros.

E o trabalho já vem dando resultado, dezenas de caçadores foram presos e acampamentos clandestinos para a caça fechados pelas heroínas. A captura de animais selvagens sofreu um decréscimo de 76% desde 2013. Em 2015, durante 10 meses não foram capturados rinocerontes graças ao trabalho delas.

O grupo já ganhou diversos prêmios internacionais pelo trabalho. Entre os últimos estão:
Prêmio de Diversidade Cultural 2019, Prêmio da Fundação internacional do Paradise International Ranger do ano 2020 e o Prêmio Sierra Club the Earth Care 2020.

As Black Mamba também procuram conscientizar a população para a importância da vida selvagem e para a utilização dos recursos existentes de forma sustentável. Elas visitam escolas e procuram educar as crianças sobre a importância da vida de selvagem, afinal muitas crescem em famílias nas quais a caça ilegal é normal.

As Black Mamba mostram que existem outros meios de trabalho e a melhor alternativa é a proteção aos animais. Muitas crianças das regiões estão sendo influenciadas pelo trabalho e querem ser Black Mambas quando crescerem.

Fontes: Blackmambas.org e Wikipédia