Modelo e ex-nadador roda país com projetos ambientais e ajuda xavantes

Compartilhar

O modelo e ex-nadador profissional Felipe Martins fundou a empresa de produção de conteúdo GoMartins com seu irmão, e hoje roda o país com projetos ambientais. Em seu último projeto, Felipe ajudou xavantes do interior do Mato Grosso

Modelo e ex-nadador roda país com projetos ambientais e ajuda xavantes
Felipe Martins após cerimônia xavante | Foto: Carol Brenck/GoMartins

Por: Juliana Lima

O paulista Felipe Martins, de 33 anos, é modelo e foi nadador profissional por 15 anos, ficando entre os dez mais rápidos do mundo nos 50 metros borboleta. Depois que deixou as piscinas em 2016, ele fundou a empresa de produção de conteúdo GoMartins junto com seu irmão, Henrique Martins, também ex-nadador olímpico. Hoje, ele e o irmão viajam o Brasil com projetos ambientes e ajudam xavantes e comunidades indígenas.

Tudo começou quando, ainda em 2016, eles começaram a fazer viagens para realizar mergulhos. Assim, eles entraram para um programa voluntário da National Geographic para exploradores independentes e filmaram diversos parques marinhos, como Abrolhos, na Bahia, e Laje de Santos, em São Paulo. Depois, expandiram as viagens para outros locais de ecoturismo no Brasil e conheceram uma aldeia no Território Indígena do Xingu.

“Pelos mergulhos, vimos diversos problemas, um monte de plástico, coral quebrado em áreas turísticas. Decidimos tentar trazer um novo olhar, mostrar as belezas e as complicações também”, explica Felipe.

O último projeto ambiental de Felipe Martins foi em Campinápolis, no interior do Mato Grosso. O ex-nadador esteve na cidade a pedido da prefeitura para promover possíveis pontos turísticos como a Caverna Sagrada e a Lagoa Encantada, ambas localizadas em territórios dos xavantes. Foi assim que conheceu três lideranças indígenas da região, entre elas Samira Tsibodowapré Xavante, filha de um cacique que morreu de diabetes em 2018.

As mulheres queriam construir um pomar em São Gabriel, a 35 km da cidade. A aldeia é uma das 153 da região que abrigam cerca de 10 mil indígenas, a maior população do país de uma só etnia. Segundo a líder Samira, uma das maiores preocupações na aldeia é a questão alimentar, já que há grandes taxas de diabetes entre a população xavante.

Prontamente, Felipe acionou seus contatos na GoMartins e na prefeitura de Campinápolis e, quatro meses depois, já estava realizando workshops de agrofloresta na aldeia de Samira. O projeto foi tomando forma e resultou no plantio de 2.435 mudas de árvores frutíferas, incluindo açaí, caju e bananeira, plantadas em dez aldeias.

Sirlene Dias, secretária municipal de Turismo e Meio Ambiente, também ajudou no projeto e conta como a ajuda do modelo e ex-nadador foi fundamental. “Uma ação desse tipo aqui eu nunca vi, e olha que nasci e cresci aqui”, conta.

“A secretaria de Assuntos Indígenas fez toda a parte de arar a terra, limpar e preparar os locais escolhidos pelos caciques. Fizeram uma roça também além do pomar. Foi lindo de verdade ver que todo mundo queria a mesma coisa”, explica Sirlene.

Todo o projeto foi documentado pelo modelo e ex-nadador e outros três amigos, que não só colocaram a mãe na massa, como também entrevistaram os participantes e fotografaram cada dia de plantio. Como resultado, tiveram centenas de fotos e vídeos publicados em tempo real nas redes sociais de Felipe e da GoMartins.

“Passamos por um processo de amadurecimento da empresa e hoje nossa missão principal é conectar quem quer e pode ajudar com quem precisa de ajuda. E seguimos mostrando nas mídias sociais o que as pessoas não conhecem desse Brasilzão”, diz Felipe.

Para Samira e as comunidades xavantes, o projeto e o contato com a equipe de Felipe foi fundamental para que agora possam estudar sobre ecoturismo. “Sofremos muito preconceito e acredito que é falta de conhecimento. Essas ações ajudam. As crianças ficaram encantadas, nunca haviam pisado numa aldeia”, diz Samira.

Fonte: UOL ECOA