Organização aposta na conexão territorial para transformar vidas em Pecém (CE)
Força ComunitáriaSegundo Beatriz Waclawek, gerente de investimentos sociais do Movimento Bem Maior, o trabalho de organizações comunitárias é valioso; “apoiar iniciativas locais, sobretudo coletivos que se sustentam pela confiança, traz legitimidade à atuação, fortalece suas causas na região e amplia o impacto que já existe no território”

Por Lucas Neves
Em Pecém, distrito de São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana do Ceará, uma organização social está transformando a vida dos moradores a partir de ações culturais, educacionais e de desenvolvimento social. O nome desse projeto diz tudo o que é necessário para entender o seu propósito, Associação Pecém Eu Te Amo (ASSPA).
“O nome simboliza afeto, identidade e compromisso com o lugar onde vivemos. Ele comunica que todas as nossas ações são guiadas pelo cuidado com o Pecém e pelo desejo coletivo de fortalecer sua cultura, suas pessoas e sua história”, comenta Uedna Mesquita, Coordenadora de Projetos da ASSPA.
Em entrevista ao Observatório do Terceiro Setor, Uedna lembra que esta alcunha foi escolhida em votação pelos sócios fundadores da ASSPA, como uma forma de expressar o amor profundo pela comunidade e o sentimento de pertencimento ao território.
A ASSPA foi fundada em 1998 e, desde então, realiza diversas ações sociais em Pecém e nas localidades adjacentes, visando a melhoria da qualidade de vida da população local, sobretudo, as mais vulneráveis.
O seu surgimento ocorreu quando quatro mulheres artesãs identificaram a necessidade de apoiar mães solo em situação de vulnerabilidade, então decidiram realizar encontros semanais para produzir enxoval a essas crianças.
Atualmente a ASSPA se posiciona como uma referência em Pecém, com um trabalho sólido de apoio a população, a partir de projetos e programas que contemplam as áreas de saúde, educação, cultura e meio ambiente.
A importância da conexão com o território de Pecém
Ao conhecer a ASSPA, fica evidente a conexão da organização com o seu próprio território, não só pelo seu nome, que é uma declaração de amor à região, mas pelo modo no qual as ações e projetos são desenvolvidos, sempre em parceria com a comunidade, empresas privadas e demais instituições locais.
Uedna conta que, durante os anos 90, a região de Pecém — que era uma vila de pescadores — passou por uma transformação rápida com a industrialização e aumento do fluxo migratório, gerando mudanças profundas no território.
“Diante disso, percebemos a importância de fortalecer nossa cultura local, nossa memória e o sentimento de pertencimento. Isso só é possível com a participação ativa da comunidade”, afirma Uedna.
A Coordenadora de Projetos da ASSPA destaca que, por conta dessa necessidade de conexão territorial, a associação realiza mapeamentos, escutas, avaliações e reuniões mensais, onde todos têm espaço para contribuir. “É nesse diálogo que conseguimos construir projetos que realmente atendem às demandas e histórias do território”.
Associação Pecém Eu Te Amo no Futuro Bem Maior
O ASSPA participou do Futuro Bem Maior, programa do Movimento Bem Maior (MBM) que apoia organizações sociais conhecidas por fazerem a diferença em seus próprios territórios.
Escolhidas via edital, as organizações e coletivos participantes do programa contam com apoio financeiro flexível, além de receberem formações e mentorias sobre diferentes temas de relevância para o terceiro setor.
O fortalecimento da conexão de organizações sociais com os seus próprios territórios é um dos propósitos do Futuro Bem Maior. Segundo Beatriz Waclawek, gerente de investimentos sociais do MBM, é justamente essa conexão que torna o trabalho dessas iniciativas tão valioso.
“Elas sabem o que a comunidade precisa e criam soluções a partir dessa vivência. Apoiar iniciativas locais, sobretudo coletivos que se sustentam pela confiança, traz legitimidade à atuação, fortalece suas causas na região e amplia o impacto que já existe no território”, afirma Beatriz.

Ao falar sobre a participação da ASSPA no programa da MBM, Uedna lembra dos aprendizados fundamentais sobre ferramentas de planejamento, organização e monitoramento.
Além disso, ela comenta que o programa auxiliou na mensuração de resultados. “Agora, conseguimos registrar, organizar e sistematizar nossos dados, apresentando relatórios mais completos e transparentes. Tudo o que aprendemos no Bem Maior continua sendo aplicado no nosso dia a dia e tem fortalecido muito a profissionalização da associação”.
“O programa Futuro Bem Maior foi como uma semente plantada na Associação Pecém Eu Te Amo: ela germinou, cresceu e ainda hoje colhe seus frutos. A participação no programa transformou profundamente a forma como pensamos e realizamos nossas ações sociais” — Uedna Mesquita
Quer saber mais sobre o impacto do Futuro Bem Maior em organizações comunitárias? Clique aqui para conhecer a história do Projeto Viamar, que potencializou seu atendimento a jovens em vulnerabilidade social de Cabedelo, município de João Pessoa–PB.
Aumento expressivo de encomendas de kits de artesanato
Durante a participação no programa do MBM, a Associação Pecém Eu te Amo passou por um crescimento significativo na demanda por kits de artesanato, um projeto que utiliza a arte artesã como ferramenta de promoção de saúde, bem-estar e fortalecimento da cultura e renda local.
A meta inicial, que previa a venda de 84 kits, foi amplamente superada, com a comercialização de 5.680 kits — resultado alcançado por meio de seis encontros culturais, viagens para participação em feiras e encomendas de empresas da região portuária do Pecém.

Além das vendas, a associação também realizou 48 horas de aulas e oficinas abordando temas como produção artesanal, desenvolvimento de planos de negócios, precificação de produtos e comunicação digital.
“Lidar com esse aumento tão grande na demanda foi desafiador e, ao mesmo tempo, muito envolvente, porque mobilizou toda a comunidade”, comenta Uedna. De acordo com ela, houve um aumento expressivo no número de mulheres artesãs participando do processo, fortalecendo vínculos e gerando renda local.
“Até hoje continuamos produzindo kits conforme as encomendas das empresas parceiras e é muito gratificante ver o ciclo completo: as empresas que doam os resíduos têxteis, a comunidade que transforma esse material em novos produtos e as empresas que voltam a adquirir esses kits como gesto de impacto social”, conclui.
Esta matéria faz parte da série Força Comunitária, focada em apresentar histórias inspiradoras de organizações que atuam para transformar seus próprios territórios e mudar a vida das suas populações. Clique aqui para conferir outras matérias da série!

29/11/2025 @ 09:14
Projeto lindo, cheio de impacto, que valoriza a forrça na mulher na comunidade
29/11/2025 @ 12:08
A Pecem eu te amo já é um pedaço da história desse lugar. Feliz por conhecer e acompanhar esse trabalho.
30/11/2025 @ 09:10
Lendo esta matéria me veio a lembrança o esforço hercúleo da D. Elenita, uma grande artesã e apaixonada pelo Pecém, mulher forte e determinada que ficou a frente da associação e apesar de todas as dificuldades conseguiu realizar transformações na comunidade local.
Parabéns as meninas que hoje estão a frente da associação e que vêm realizando o excelente trabalho de fortalecimento de vínculos com as famílias no Pecém a partir do protagonismo feminino.
Sou fã deste trabalho desde o tempo da gestão da D. Elenita, amo o Pecém e fico muito feliz com todas as iniciativas que possam proporcionar o fortalecimento comunitário local.